Nos últimos meses, o interesse de investidores pessoa física por operações vendidas na bolsa de valores (também chamadas operações de “short selling“) vem apresentando picos de crescimento, e atualmente está em tendência de alta, de acordo com dados do Google.

A alta nas buscas pode estar sendo impulsionada apenas curiosidade, o que incentivamos enormemente! Mas uma coisa nos preocupa: que mais e mais pessoas estejam buscando lucrar com a queda do mercado sem calcular bem os riscos. Riscos que são praticamente infinitos.  

Infinitos? Explicamos: quando você investe em uma ação, existe um limite para as perdas que podem acontecer, que é o total que você pagou pela ação. Se você comprou um lote de ações por R$ 100 e o preço chegar a zero, seu prejuízo é de R$ 100. Simples assim. O preço dela jamais será menor do que zero.  

Por outro lado, quando você aposta na queda de uma ação, o risco é esse preço subir — e não existe um limite de alta. A ação que custava R$ 100 pode valorizar para R$ 200, R$ 500, R$ 1.000… Até o infinito. E você vai ter que arcar com essa alta em forma de prejuízo potencialmente muito alto.  

Como funciona a operação vendida? 

Caso você não conheça ainda esse tipo de operação, explicamos. Para operar apostando na queda de uma ação, fundo imobiliário ou BDR, você precisa realizar três passos: o aluguel desse papel, a venda e a compra no mercado, e a posterior devolução a quem alugou para você. Vamos aos detalhes.  

  1. Aluguel  

Se você acha que uma ação vai cair, não faz sentido comprar essa ação no mercado. O que você pode fazer é encontrar alguém que tenha essa ação (pessoa que chamamos de “doadora”) e esteja disposto a alugá-la para você (que, nesse caso, é o tomador). Essa operação é parecida com o aluguel de uma casa: você paga um valor à pessoa doadora pelo direito de uso por determinado período. Vamos usar um exemplo de que esse aluguel vai custar R$ 1.  

  1. Venda a mercado  

É essa operação que permite que você coloque a ação à venda, mesmo sem ter comprado. Por exemplo: se você acha que o papel, que hoje custa R$ 100, está muito caro e vai cair para R$ 50, você o coloca à venda por R$ 100 e recebe esse dinheiro.  

  1. Compra para devolução 

Ao final do período de aluguel, é necessário devolver a ação à pessoa que te “emprestou”. Nesse momento, você deve comprar essa ação pelo preço de mercado e realizar essa devolução. Não existe a opção de não devolver as ações para a pessoa doadora.  

Caso sua previsão (a ação cair) se concretize, você vai gastar menos do que recebeu no passo anterior (a venda) e sai no lucro. No nosso exemplo, você (i) pagou um aluguel de R$ 1, (ii) vendeu a ação por R$ 100 e, no término do período de aluguel, (iii) comprou a mesma ação por R$ 50 para devolver ao doador. Ou seja, você gastou R$ 51 e recebeu R$ 100, obtendo um lucro de R$ 49.  

Porém, se o preço subir ao invés de cair, pode acontecer a situação que descrevemos no início desse texto, com perdas potencialmente significativas.  

As ações mais “shorteadas”  

Mesmo que você não pretenda fazer uma aposta tão arriscada na Bolsa, as operações vendidas mostram o nível de pessimismo do mercado com determinada ação ou setor. Assim, podem ser um complemento para a sua avaliação sobre investir (ou não investir) em uma companhia.

Para te dar mais insumos para sua avaliação de investimentos, publicamos um relatório que monitora as ações com maior volume de operações vendidas na última quinzena. Lembre-se que não se trata de uma recomendação de compra ou de venda dessas ações, mas sim um monitor informativo desse volume de apostas.

Acesse o nosso relatório aqui.  

Elaborado por:

Paula Zogbi, CNPI 2545

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