Muito se fala sobre ouro quando o assunto é proteção, mas ele não está sozinho nesse universo. Entre os metais preciosos, a prata ganhou destaque recente como alternativa para quem busca diversificar a carteira e adicionar um componente descorrelacionado ao portfólio. 

Assim como o ouro, a prata é um ativo finito, com mais de 5 mil anos de história e também reconhecido como proteção em momentos de inflação elevada, incertezas macroeconômicas e tensões geopolíticas. Mas além disso, a prata desempenha um papel de maior destaque na economia real — especialmente em setores industriais e tecnológicos que vêm crescendo de forma acelerada. 

A seguir, apresentamos o que movimenta o preço da prata, como ela se diferencia do ouro e de que forma o investidor pode se expor ao metal na prática. 

O que mexe com o preço da prata? 

O ano de 2025 marcou um ciclo histórico para os metais preciosos. Tanto o ouro quanto a prata atingiram níveis recordes de preço. 
No caso da prata, os contratos futuros mais líquidos negociados em Nova York — com vencimento em março — saíram da faixa de US$ 29/onça-troy para acima de US$ 70/onça

Esse movimento foi impulsionado por três fatores principais: 

  • Inflação elevada no mundo desenvolvido, que aumentou a demanda por ativos reais. 
  • Incertezas macroeconômicas globais, que fortalecem ativos de proteção. 
  • Menor preferência por moedas tradicionais, como o dólar, em meio a conflitos geopolíticos, aumento de risco global e perda de credibilidade institucional nos Estados Unidos. 

Assim como o ouro, a prata costuma ganhar tração quando o ambiente macro é desafiador. Mas existe uma diferença importante: a sensibilidade do metal ao ciclo econômico

Prata ou ouro? Entenda seu perfil de investimento 

1. Volatilidade 

Apesar de ser considerada um ativo defensivo, a prata é mais volátil do que o ouro. 

Isso acontece porque o metal está mais exposto ao desempenho da indústria global. 
Quando o ciclo econômico acelera — especialmente setores ligados a tecnologia e produção industrial — a demanda por prata tende a crescer. 
Por outro lado, períodos de desaceleração tendem a pressionar o preço para baixo. 

Essa maior volatilidade pode ser vista como oportunidade para alguns perfis, mas exige avaliar seu nível de tolerância ao risco. 

2. Liquidez 

Entre os metais preciosos, o ouro é o mais líquido do mercado global. 
A prata, embora negociada amplamente, costuma ter menor profundidade de mercado, o que implica: 

  • spreads maiores – maior distância entre o preço dos vendedores e compradores no mercado 
  • menor rapidez na execução 
  • maior oscilação em determinados momentos 

Para quem busca maior liquidez, o ouro tende a ser mais eficiente. 

3. Prazo 

Investir em prata exige visão de longo prazo

O metal está diretamente ligado a tendências estruturais importantes, como: 

  • transição energética 
  • eletrificação de veículos 
  • expansão de semicondutores 
  • tecnologias de comunicação (como infraestrutura 5G) 

Essas cadeias produtivas são lentas, dependem de investimentos pesados e só se materializam ao longo dos anos. Ou seja, o preço da prata tende a reagir às expectativas industriais — não apenas ao ambiente macro

A prata como ponte para um caminho mais verde 

A prata ocupa posição estratégica na corrida global por tecnologias mais limpas e eficientes. 

Ela é fundamental em: 

  • painéis solares 
  • baterias avançadas 
  • veículos elétricos 
  • chips semicondutores 
  • componentes eletrônicos de telecomunicação 
  • dispositivos conectados à rede 5G 

Em um mundo cada vez mais digital e sustentável, a demanda estrutural pela prata tende a crescer. Parte do interesse recente dos investidores vem exatamente dessa combinação: proteção + uso industrial crescente

Como investir em prata 

Com o amadurecimento do mercado financeiro no Brasil, as formas de acessar metais preciosos se ampliaram. Hoje, diferentes perfis de investidores conseguem se expor à prata de maneiras práticas e com custos variados. 

A seguir, as principais alternativas: 

1. Metal físico 

A forma mais tradicional é a compra de prata física (barras ou moedas). 
Apesar de simples, ela envolve: 

  • custos de armazenamento 
  • proteção e seguro 
  • menor liquidez 
  • dificuldade de acompanhar oscilações intradiárias 

Funciona bem para quem busca exposição direta e está disposto a lidar com essas questões operacionais. 

2. Contratos futuros 

Uma forma de acessar o metal sem lidar com guarda física. 
Esse tipo de exposição costuma oferecer: 

  • maior liquidez 
  • possibilidade de operações táticas 

Mas atenção: trata-se de renda variável, com alta volatilidade

No Brasil, não há contratos futuros de prata na B3, mas eles existem em bolsas internacionais — como Chicago e Nova York. 

3. Fundos de investimento e ETFs 

É a alternativa mais prática para a maioria dos investidores. 

Existem duas principais opções: 

  • • BDRs de ETFs na B3 

Ex.: BSLV39, que replica o LBMA Silver Price, índice global utilizado como referência para a prata à vista. 

  • • Fundos multimercado com exposição ao metal 

Na plataforma da Rico, por exemplo, o Trend Prata FIM RL dá acesso ao metal negociado em Chicago via derivativos (swaps). 

Nos últimos 12 meses até 06/01/2026, o fundo subiu aproximadamente 153%, acompanhando o forte rali global da prata. 

É hora de investir em prata? 

A diversificação entre classes de ativos segue sendo um dos pilares de uma carteira eficiente. 
Nesse contexto, a prata se destaca por unir: 

  • características defensivas e descorrelação 
  • um papel estratégico na indústria do futuro 

Essa combinação faz do metal um elemento interessante para investidores que buscam equilibrar proteção e exposição a tendências estruturais — desde que respeitando o perfil de risco e a proporção adequada na carteira. 

Se quiser ver como a prata pode se encaixar na sua alocação, acompanhe o nosso Onde Investir e as recomendações das nossas carteiras por perfil

Elaborado por:

Bruna Sene, CNPI-T 6928

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