• Nesse texto em parceria com a Levante, entenda quais as diferenças entre “Buy and Hold” e “Buy and Forget”
  • Entenda como comprar PETR4 a R$20,00 pode não ter sido um tão bom negócio assim.
  • Não é porque um investimento é bom hoje, que ele continuará sendo amanhã. Gerir sua carteira de forma ativa pode fazer muita diferença no seu retorno no mercado de ações.

“Buy and Hold” é um dos mais famosos jargões do mercado financeiro. Você ouve praticamente todo dia. É uma daquelas frases de impacto que costumam alcançar o investidor iniciante, pois é de fácil entendimento.

A frase é apresentada como algo que não pode ser recusado, uma espécie de dogma que pune aqueles que não o seguem. Quem confronta essa máxima são rotulados de ignorantes, sabotadores de risco, jogadores de cassino… Até de maluco são chamados.

Apertando a tecla SAP para deixar claro para todo mundo: ‘Buy and Hold’ significa comprar e segurar. Em outras palavras: comprar ações para investir a longo prazo, sem se importar muito com as condições políticas e econômicas.

Sendo o longo prazo o melhor amigo do investidor, segundo este mantra, pouco importaria as variações e os fatos do curto prazo. Seria está uma verdade absoluta?

Acredito que John Maynard Keynes, responderia não a essa pergunta. Poucos economistas são tão respeitados como Keynes. Suas ideias mudaram fundamentalmente a teoria e prática da macroeconomia, bem como as políticas econômicas instituídas pelos governos.

Suas ideias foram de fundamental importância para retomada econômica após a Segunda Guerra Mundial. A teoria chamada de “keynesiana” forneceu a base teórica para os planos econômicos para os presidentes americanos Franklin D. Roosevelt e Barack Obama, por exemplo.

Keynes tem uma frase icônica que diz: “A longo prazo estaremos todos mortos”. É provavelmente a citação mais conhecida do famoso economista, com a qual em 1923 quis chamar a atenção para a urgência de abandonar o padrão ouro e, assim, evitar a depressão.

A medida era vista como essencial no curto prazo; o longo prazo não importava. Imagine o rebuliço que isso gerou na época. Como assim abandonar o padrão ouro? Certamente deve ter soado como loucura! Hoje sabemos dos benefícios da decisão.

Essa ideias, anos depois, culminaram na extinção do acordo de Breton Woods (convenção de 45 países que acordaram em adotar uma política monetária que mantivesse a taxa de câmbio de suas moedas indexado ao dólar que, por sua vez, era atrelado ao ouro).

O acordo foi rompido unilateralmente em 15 de agosto de 1971, quando os Estados Unidos acabaram com a convertibilidade do dólar em ouro, o que efetivamente levou o sistema de Bretton Woods ao colapso.

Mantras não funcionam na economia. Se uma ruptura tão importante como a do padrão ouro ocorreu, como podemos nos firmar a uma frase repetida de maneira muitas vezes leviana, como verdade absoluta?

Vale aqui uma reflexão… Sabemos que todos os modelos estão errados por definição, pois são uma simplificação da realidade. Alguns deles, no entanto, podem ser úteis. Ao repetirmos que basta comprar e esquecer, estamos realizando uma troca. Evitamos nos preocupar no curto prazo, em troca de preservarmos a rentabilidade futura.

Mantras não funcionam na economia como na meditação na qual, diga-se de passagem, funcionam muito bem ao serem repetidos inúmeras vezes, sem pensar.

De forma tácita, os investidores que estão no mercado há algum tempo se gabam de terem comprado Petrobras a R$ 20 em maio de 2018. Só que ‘esquecem’ de comentar que, em junho daquele mesmo ano, a ação podia ser adquirida por R$ 12,00 (um valor 40% mais baixo…), alegando que investiam no longo prazo.

Eis que veio o longo prazo. Em março de 2020, a petroleira estava a R$10,00 queda de 50% de dois anos atrás mais a inflação. “Ah o longo prazo… Como é bom não se preocupar com as oscilações diárias”, dizem por aí… Será que na prática ele funciona? Claro que sim… Afinal, as ações estão valendo cerca de R$ 29,00 agora, valorização de 40% certo? NÃO!

Errado, pois devemos considerar o que poderíamos ter feito com este capital estagnado por 3 anos neste ativo. Vamos observar o gráfico a abaixo:

Em 4 anos, as ações da Petrobras oscilaram 2 vezes mais de 100% para cima e caiu 63% e 32%, em outros dois momentos. Para comparar. Nesse mesmo período, o Ibovespa subiu 51%, Vale, 106%; PetroRio, 97% só em 2021… Outras 11 ações se valorizaram mais de 65% nos últimos 12 meses.

Sob esta ótica, o investimento de longo prazo em Petrobras não parece ter sido o melhor que poderíamos ter tido… Sabendo disto, temos que diferenciar o ‘Buy and Hold’ (comprar e segurar) do Buy and Forget’ (comprar e esquecer).

Quando você compra e esquece, você fica indiferente ao seu patrimônio, aceita ele desvalorizar 70%, valorizar 100% e não faz nada com isso. A não ser, claro, passar nervoso e se lamentar ‘poderia ter realizado um ganho de 100%’, ou ‘como fui perder 70%’.

Talvez até você tenha passado por isso. Ou conhece alguém que sofreu pela mesma razão. É cômodo dizer que é investidor de longo prazo, quando as coisas dão errado.

 É cômodo falar que se tornou sócio de uma boa empresa, quando não se tem tempo de acompanhar os resultados financeiros de uma empresa. É mais uma vez nosso cérebro nos pregando uma peça, trocando um conforto de não nos preocuparmos no curto prazo, trocando pelo potencial rentabilidade futura.

É preciso assumir seus erros. Se essa rentabilidade futura nunca chega, o ‘Buy and Forget nunca será esquecido. Você se lembrará todos os dias deste mau investimento. Isso é mais comum no mercado financeiro do que você possa imaginar.

As pessoas não gostam de assumir erros feitos. Realmente é duro admitir os enganos. É também difícil admitir que precisamos da ajuda de alguém, para qualquer função. Temos o medo de sermos rejeitados se tomarmos uma atitude nesta direção, de nos negarem ajuda e, ainda por cima, sermos julgados como inferiores por não saber executar a tarefa.

Segundo Aristóteles, viver em sociedade é tanto uma necessidade do homem quanto uma garantia fundamental para a existência da humanidade tal como conhecemos hoje – afinal é o que nos possibilita a evolução. Não basta apenas fazer. Queremos que seja feito da melhor forma. É a diferença entre eficácia e eficiência.

 A partir do momento que reconhecemos limites (de tempo, de recursos ou de preferências), podemos nos dedicar aquilo que realmente gostamos e termos resultados melhores em diversas áreas de nossas vidas. Não precisamos lembrar de tudo, e também não precisamos esquecer nada.

 Ao contratar uma babá por exemplo, posso delegar um tempo que deveria ser despendi do preparando mamadeiras, lavando roupas, arrumando brinquedos, em vez de estar com meus filhos no colo. Isso não me torna incapaz de lavar uma mamadeira ou signifique que goste menos dos meus filhos. Muito pelo contrário. Foi uma escolha entre fazer tudo de qualquer jeito, ou otimizar a minha opção preferida.

 Isso ocorre em inúmeras áreas de nossas vidas. Já precisou chamar um encanador? Pensou em contratar um decorador? Não vamos com frequência ao médico? Com investimentos é bem parecido.

A linha que separa o ‘Buy and Hold’ e o ‘Buy and Forget’ é tênue e muitas vezes apenas especialistas conseguem identificar e gerenciar da melhor forma estas estratégias. Não podemos esquecer que não é porque um ativo é um excelente investimento hoje continuará sendo amanhã.

Exemplos não faltam. Numa próxima oportunidade, vou te contar como Cielo, precursora das maquininhas, foi de queridinha do mercado financeiro com valorização de mais de 400% pós IPO, para uma desvalorização que muitos players demoraram para entender o que tinha acontecido e que fez a empresa valer hoje 50% menos que em seu IPO.

Elaborado por:

Paula Zogbi, CNPI 2545

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