A volta às aulas costuma apertar o orçamento das famílias — e, em muitas casas, ela chega junto com outras contas típicas do começo do ano, como o IPTU e o IPVA. Veja como alguns desses custos se comportaram em 2025 e no acumulado de 2021 a 2025.
Janeiro: um teste para o orçamento
Quando o ano começa, não são só as metas que entram em cena — para quem tem filhos, a preparação para a volta às aulas também ganha destaque. É hora de montar a lista, ajustar o orçamento e lidar com aquele dilema anual: tudo parece estar mais caro. E não é só impressão: alguns itens ligados à rotina escolar e ao “combo” de início de ano viram seu preço subir além da inflação em 2025, com alguns deles acumulando altas relevantes desde 2021.
Em 2025, o IPCA (índice geral) acumulou alta de 4,26%. À primeira vista, pode soar “comportado”, mas o que pesa no bolso não é só o índice geral: é a combinação de alguns fatores.
O primeiro é que a inflação é desigual: enquanto os preços de determinados bens e serviços que compõe a cesta do IPCA podem ter subido pouco, ou mesmo caído no ano, isso não significa que foi o caso para todos os bens e serviços consumidos por uma família. Quem tem filhos em idade escolar, por exemplo, irá consumir um conjunto específico de bens — e, por isso, pode sentir mudanças no custo de vida diferente daquele de famílias que não tem filhos.
O segundo é o que podemos chamar de efeito acumulado. Um reajuste que parece pequeno em um ano pode virar um “salto” quando observamos a mudança do preço ao longo de alguns anos, ou mesmo o acumulado desse reajuste somado ao longo do ano.
Já o terceiro efeito é o calendário: o início do ano concentra despesas grandes e decisões importantes ao mesmo tempo (material, uniforme, mensalidades e tributos como IPTU e IPVA, para quem tem carros), o que contribui para aumentar a sensação de aperto.
Abaixo, detalhamos o comportamento recente do que chamamos de “inflação do começo do ano”.
A cesta de volta às aulas: quanto a educação está mais cara?
| Itens | 2025 | Acumulado 5 anos |
| Cesta volta às aulas | 5,32% | 39,34% |
| IPCA | 4,26% | 33,13% |
Compusemos essa cesta hipotética pelos seguintes bens e serviços: uniforme, educação (que inclui todas as fases de ensino), livro didático, livro não didático e papelaria. Como podemos ver na tabela abaixo, essa cesta teve alta de 5,32% nos preços em geral em 2025 – comparado com uma variação de 4,26% do IPCA no período. Ou seja, mesmo com itens que subiram menos (como papelaria), o conjunto ficou ligeiramente acima do índice geral de preços no ano.
Já no acumulado entre 2021 e 2025, a mesma cesta avançou 39,34%, enquanto o IPCA acumulou alta de 33,13%. O resultado sugere que, para famílias com gastos escolares recorrentes, a pressão tende a ser maior do que a inflação “média” do período.
| Volta às aulas | 2025 | Em 5 anos (2021 a 2025) |
| IPCA | 4,26% | 33,13% |
| Livro didático | 4,47% | 30,01% |
| Livro não didático | 6,32% | 51,96% |
| Papelaria | 2,39% | 39,64% |
| Creche | 5,95% | 39,09% |
| Pré-escola | 7,65% | 48,54% |
| Ensino fundamental | 8,21% | 49,35% |
| Ensino médio | 7,65% | 47,52% |
| Ensino superior | 5,42% | 23,93% |
| Uniforme escolar | 7,24% | 39,63% |
| Transporte escolar | 4,23% | 24,31% |
Uma forma simples de visualizar: se a cesta custasse R$ 1.000 em 2021, um acumulado de 39,34% levaria esse valor para cerca de R$ 1.393,40. Em contraste, considerando a variação de 33,13% do IPCA, os mesmos R$ 1.000 virariam aproximadamente R$ 1.331,30.
A diferença pode parecer pequena à primeira vista. Porém, se considerarmos a rentabilidade de um investimento no período, a diferença supera a variação de títulos atrelados ao IPCA, por exemplo.
Agora, vamos mais a fundo: confira detalhes da inflação da cesta de volta às aulas.
O que é essencial na hora de montar a mochila?
Quando pensamos em volta às aulas, temos uma lista padrão que pensamos para deixar os pequenos prontos para as aulas – dentre eles, itens de papelaria e livros. Em 2025, a categoria papelaria registrou alta de 2,39% nos preços, abaixo do IPCA observado (4,26%). Isso pode acontecer por alguns motivos: promoções e concorrência forte no varejo,
Em 2025, a categoria papelaria registrou alta de 2,39% nos preços, abaixo do IPCA observado (4,26%). Isso pode acontecer por alguns motivos: promoções e concorrência forte no varejo, compra antecipada (por exemplo, no fim do ano e início de janeiro) e até substituição por itens mais baratos (marca/qualidade) quando o orçamento aperta. O resultado é que o preço médio do item pode subir menos no ano.
Já na janela de cinco anos, por exemplo, a categoria papelaria acumula inflação de 39,64%. Ou seja: mesmo que 2025 tenha sido um ano de alta menor, o consumidor carrega um histórico de reajustes sucessivos que elevou o nível de preço. Se um conjunto de itens de papelaria custasse R$ 100 em 2021, por exemplo, hoje ele estaria em torno de R$ 139,64.
Nos livros, o comportamento em 2025 foi misto: livro didático ficou em 4,47% de alta nos preços, bem próximo do IPCA, enquanto livro não didático avançou 6,32%, acima do índice geral. Os livros não didáticos podem ser mais sensíveis a custos de produção e logística e a mudanças de demanda por lançamentos e edições, enquanto parte do material didático tende a ser negociado em maior escala, o que pode suavizar reajustes em alguns anos.
Já no acumulado dos últimos cinco anos, a categoria de livro não didático registrou alta 51,96% nos preços — ou seja, R$ 100 virariam cerca de R$ 151,96. Esse comportamento reforça a recomendação de pesquisa a planejamento para a compra desses itens, incluindo alternativas como usados e trocas.
E as mensalidades?
O peso no bolso não para na mochila.
Em 2025, o grupo Educação (que envolve todas os ensinos: creche, pré-escola, fundamental e médio) acumulou 6,22% de alta nos preços, acima do IPCA (4,26%).
Esse comportamento costuma refletir custos que são difíceis de reduzir no curto prazo: salários, infraestrutura, tecnologia e serviços de apoio (que também sofrem inflação). Além disso, educação é um serviço com reajustes periódicos — então o aumento tende a aparecer de forma mais “contínua”.
| Volta às aulas | 2025 | Em 5 anos (2021 a 2025) |
| Índice geral | 4,26% | 33,13% |
| Creche | 5,95% | 39,09% |
| Pré-escola | 7,65% | 48,54% |
| Ensino fundamental | 8,21% | 49,35% |
| Ensino médio | 7,65% | 47,52% |
| Ensino superior | 5,42% | 23,93% |
Dentro do grupo, os reajustes foram mais fortes em ensino fundamental (8,21%) e ensino médio (7,65%). Creche (5,95%) e pré-escola (7,65%) também ficaram acima do índice geral.
No horizonte mais longo, a diferença fica ainda mais clara: de 2021 a 2025, ensino fundamental acumula 49,35% de alta nos preços e ensino médio, 47,52% — bem acima do IPCA do período (33,13%). Um jeito simples de visualizar: se a mensalidade fosse R$ 1.000 em 2021, um acumulado de 49,35% levaria esse valor para algo perto de R$ 1.493,50 (apenas utilizando os percentuais de aumento analisados aqui).
Outros detalhes, mais gastos: e o lanche, o uniforme e o transporte escolar?
| Volta às aulas | 2025 | Em 5 anos (2021 a 2025) |
| Índice geral | 4,26% | 33,13% |
| Uniforme escolar | 7,24% | 39,63% |
| Transporte escolar | 4,23% | 24,31% |
Na rotina escolar, há itens que parecem pequenos, mas são gastos recorrentes, pesando no orçamento do dia a dia. Em 2025, o lanche subiu 11,35% em média dos preços e uniforme escolar, 7,24% — ambos acima do IPCA observado no ano. Já o transporte escolar ficou em 4,23%, praticamente em linha com o índice geral (4,26%).
Por que lanche pode subir bem acima da média? Porque ele está ligado à de serviços do cotidiano, que também sofreram a pressão de uma economia estimulada e com o setor de serviços aquecido no último ano.
O uniforme também costuma “doer” mais do que parece, porque a compra é concentrada no início do ano. E, em cinco anos, o item acumula 39,63%. Mesmo que a família não compre uniforme todos os anos na mesma intensidade, esse histórico sugere que a reposição tende a exigir um orçamento maior quando chega a hora. Esse item também é relacionado ao aumento dos preços na indústria têxtil, sofrendo o peso do aumento de tecidos e fabricação.
E o carro: o que a inflação diz sobre custos que também aparecem no começo do ano?
Muita gente associa o aperto do começo do ano apenas à escola, mas esse período costuma concentrar outras despesas. O carro é um exemplo típico.
Em 2025, o preço do automóvel novo subiu 3,05% no IPCA, enquanto o preço do automóvel usado caiu 2,26%. Uma leitura possível é que o preço de usados pode aliviar quando a oferta melhora e o mercado normaliza após anos de maior pressão — além de fatores como custo do crédito e mudança de preferência do consumidor.
Ao mesmo tempo, existem itens “de manutenção/regularização” que podem continuar pressionando. Emplacamento e licença avançaram 2,44% na média dos preços em 2025 e acumulam 52,06% desde 2021. Seguro voluntário de veículo teve seu custo com queda de 5,67% em média, em 2025, o que pode acontecer quando a concorrência aumenta, a sinistralidade muda e as seguradoras ajustam preços e coberturas.
Além disso, custos de automóvel, no início do ano, são relacionados ao “tão temido” IPVA – imposto estadual que incide sobre a propriedade de veículos. Por ter sua alíquota atrelada ao preço do automóvel, a alta nos preços dos veículos também contribui para o aumento desse tributo obrigatório no país.
| Volta às aulas | 2025 | Em 5 anos (2021 a 2025) |
| Índice geral | 4,26% | 33,13% |
| Transporte escolar | 4,23% | 24,31% |
| Automóvel novo | 3,05% | 36,35% |
| Emplacamento e licença | 2,44% | 52,06% |
| Seguro voluntário de veículo | -5,67% | 34,15% |
| Acessórios e peças | 2,46% | 28,87% |
| Automóvel usado | -2,26% | 8,33% |
E o IPTU: por que ele vira um “vilão do calendário”?
Aqui a dor costuma ser mais de sazonalidade do que de “inflação”. O boleto do IPTU – imposto municipal que incide sobre imóveis – chega “de uma vez”, e cai exatamente no período em que a família está reorganizando orçamento, refazendo rotina e arcando com despesas escolares.
Em São Paulo (capital), o Decreto nº 63.995/2024 atualizou em 4,6% os valores unitários usados para apurar a base de cálculo do IPTU de 2025 e manteve desconto de 3% para pagamento à vista (cota única).
Já em 2026, o Decreto nº 64.876/2025 manteve o desconto de 3% para pagamento à vista do IPTU. Vale ressaltar que o valor final pode variar por imóvel, já que depende de fatores como valor venal e características do imóvel.
Como economizar na lista de materiais (e no começo do ano)?
A cesta do início do ano que simulamos aqui ficou com a média de aumento nos preços acima da inflação, o que mostra que famílias com automóveis e filhos tendem a sentir mais o peso de janeiro do que os preços rotineiros. Para evitar o pânico, vale se planejar organizando as despesas dessa época ao longo do ano, além de considerar outras alternativas para reduzir esses gastos.
Se o orçamento está apertado, algumas estratégias simples podem ajudar a reduzir desperdício e a diluir o impacto dos reajustes:
1. Reaproveite materiais do ano anterior: antes de comprar tudo novo, confira o que ainda está em bom estado.
2. Compare preços com antecedência: não deixe para a última hora, quando a variedade cai e a urgência aumenta.
3. Fuja de “kits” que vêm com excesso: muitas vezes, comprar avulso sai mais barato do que um pacote fechado.
4. Uniforme: priorize reposição do que realmente precisa — e avalie grupos de troca/doação quando fizer sentido.
5. Lanche: planejar opções fixas na semana e priorizar lanches levados de casa costumam reduzir compras por impulso e desperdício.
6. Transporte: quando possível, combine rotas e horários (custo recorrente pesa mais do que item pontual).
7. Organize o calendário de boletos: IPTU e outras contas do começo do ano pedem planejamento de caixa.
8. Reserve um valor ao longo do ano: transformar “gasto sazonal” em “poupança mensal” ajuda a evitar choque de orçamento.
Com um pouco de organização, dá para aliviar o impacto do início do ano e começar o período letivo com mais previsibilidade — e menos susto no extrato.
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