*Por Beatriz Vergueiro, head de produtos ESG da XP Inc.

  • Deixar de comer um hambúrguer não gera um crédito para você dar uma voltinha de carro, mas poderia
  • No Insight de hoje, aprenda o que são os créditos de carbono, como as empresas se organizam para compensar suas emissões e como funciona esse mercado
  • Entenda também qual é (e qual deverá ser no futuro) a participação de investidores pessoa física nisso tudo

Você sabia que consumir um hambúrguer de 200g gera a mesma quantidade de emissões de gás carbônico que dirigir um carro eficiente a gasolina por aproximadamente 7km? Deixar de comer um hambúrguer, então, seria como compensar uma voltinha de carro, em uma comparação rápida.

Claro que essa compensação de gasolina por lanche não existe, mas não é novidade nenhuma que estamos enfrentando mudanças climáticas geradas pelo aquecimento global. Para isso aconteceu o Protocolo de Kyoto, tratado internacional que estabeleceu diversas metas a fim de que os níveis de emissões fossem reduzidos, substituído posteriormente pelo Acordo de Paris (até junho de 2017, 195 membros da Convenção assinaram o acordo, e 147 destes, entre eles o Brasil, o ratificaram).

Com esses acordos globais, vimos uma explosão de recursos direcionados com a intenção de redução de emissões dos gases estufa e o mecanismo mais comum para a migração desse ecossistema em direção a uma economia de baixo carbono foi o famoso Crédito de Carbono.

E o que é o crédito de carbono?

Uma tonelada de dióxido de carbono (CO2) corresponde a um crédito de carbono. A redução da emissão desse gás pode ser convertida em créditos de carbono, utilizando-se o conceito de carbono equivalente (a cada tonelada de CO2 não emitida à atmosfera ou reduzida gera um crédito de carbono). Com isso, podemos dizer que os créditos de carbono representam, basicamente, uma “não emissão” de gases do efeito estufa na atmosfera, ou uma redução na quantidade esperada de emissões.

Existem dois mercados de carbono: o regulado e o voluntário.

Nos mercados regulados, os governos determinam uma meta para setores específicos e para cada player. Sendo assim, cada empresa tem uma meta de emissão de CO2 que, se não for cumprida, essa corporação é obrigada a comprar créditos para compensar esse excedente. Do outro lado, as empresas que emitem menos que o valor estabelecido podem comercializar esse saldo em excesso — um mercado em franca expansão que gerou mais de US$ 45 bilhões em 2019.

La fora, isso é chamado de Cap and trade. Os países que se tornaram mais sustentáveis após esses compromissos se beneficiaram pelos projetos, criando um ciclo virtuoso.

E como isso funciona no Brasil?

No nosso país, não temos um mercado regulado, ou seja, não temos nenhuma regulação que obrigue as empresas a diminuir suas emissões de acordo com o Acordo de Paris. As empresas que utilizam desse mecanismo de compensação aqui buscam um compromisso com as mudanças climáticas, porém essa compensação não vale como redução de metas nacionais.

Esse tipo de dinâmica gera incerteza da aprovação dos projetos envolvendo redução de emissão de GEEs e como consequência, pouca aderência do mercado aos créditos de carbono. Mas a verdade é que nosso país, com uma das maiores áreas florestais do planeta, tem uma oportunidade bilionária nas mãos dentro desse mercado.

Dá para eu investir?

Já é possível acessar o mercado global de créditos de carbono a partir da Rico. O Trend Carbono Zero replica o desempenho do ETF (fundo listado em bolsa) KraneShares Global Carbon (KRBN), que segue um índice composto por contratos futuros de crédito de carbono nas bolsas dos Estados Unidos e Europa. É uma alternativa para investir sem correr o risco cambial, porque o fundo tem hedge (proteção) contra as oscilações do real contra o dólar e o euro. A aplicação mínima é de R$ 100, então é também uma forma de diversificar sem expor uma parcela muito relevante do seu patrimônio. Para conhecer as taxas e mais detalhes, é só pesquisar por Trend Carbono Zero na sua conta da Rico.

Mas a tendência é que existam cada vez mais mecanismos vindo do poder público para uma possível penalidade sobre o excedente de emissões, e, ao mesmo tempo, os ativos financeiros que revertem essa poluição vão se tornar cada vez mais presentes no mercado financeiro.

Elaborado por:

Betina Roxo, CNPI 1493
Paula Zogbi, CNPI 2545

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