• Mercados globais amanhecem negativos nessa sexta-feira, naquele clima de ressaca de inflação acima do esperado nos EUA.
  • Sobem as expectativas de alta de juros mais forte por lá, impactando bolsas ao redor do mundo, especialmente em ações de tecnologia.
  • O petróleo não dá trégua (assim como a crise na Rússia), e segue pressionando os preços no mundo.
  • No Brasil, Congresso e governo discutem alternativas para redução do preço dos combustíveis. Mas piora de risco fiscal pode reverter ganhos.

Mercados globais amanhecem negativos nessa sexta-feira, naquele clima de ressaca de inflação acima do esperado.

A tão esperada, chegou. E levou junto os mercados. A inflação ao consumidor nos Estados Unidos, aquela para qual todos os olhos estavam voltados ao longo dessa semana, varreu as expectativas do mercado ontem. O indicador (CPI, em sua sigla em inglês) registrou alta de 0,65% em janeiro, levando a inflação para a marca de 7,53% ao ano no acumulado em doze meses – a maior alta desde 1982.

A alta de preços acima do esperado colocou gasolina (que segue subindo, aliás) na fogueira do discurso mais forte contra a inflação por parte de alguns dirigentes do Banco Central americano, o FED. Após a fala de um dos diretores (James Bullard), que indicou que os juros básicos podem chegar a 1% até julho, o mercado virou por lá. As bolsas caíram fortemente, e os títulos públicos vieram suas taxas subir, refletindo o maior risco de um aperto monetário – ou seja, do dinheiro ficando “mais caro” no mercado.

Te contamos mais sobre esse movimento de alta de juros versus queda de certos setores na bolsa no Onde Investir desse mês.

Dito tudo isso, nossa visão segue de que a inflação deve começar a ceder nos próximos meses, amenizando as pressões para a alta de juros mais acelerada nos EUA esse ano.

Nem uma trégua, petróleo? A Agência Internacional de Energia alerta que a oferta abaixo do esperado do conglomerado de países exportadores de petróleo (a OPEP) deve trazer ainda mais volatilidade ao preço do combustível no futuro. Em janeiro, os países do cartel entregaram produção abaixo de sua meta e há indícios de que o déficit da commodity está aumentando. A oferta restrita diante da demanda forte no mundo levou o preço do barril de petróleo subir cerca de 25% no ano, pressiona a inflação global.

Lembrem-se da crise geopolítica envolvendo a Rússia, que é uma das maiores produtoras globais da commodity. Nessa seara, seguimos sem sinais de apaziguamento de ânimos entre as potências globais.

Mas nem tudo é bad news nessa sexta-feira! A temporada de resultados segue forte nos EUA e na Europa, e primeiros sinais no Brasil são majoritariamente positivos. Nos EUA,  356 de 500 empresas do S&P reportaram resultados do 4º trimestre de 2021, 77% delas acima do esperado; já na Nasdaq, 815 de 3156 empresas reportaram, 65% delas acima do esperado. Na Europa, 202 de 448 empresas do EuroStoxx 600 reportaram, 57% delas acima do esperado.

Por aqui, 13 das 89 empresas do Ibovespa reportaram os resultados, 60% delas acima do esperado, com surpresa de 10%.

Na política, seguimos de preço dos combustíveis. Enquanto o ministério da economia e alguns parlamentares insistem em uma proposta de menor impacto fiscal, com redução de impostos apenas sobre o diesel, o presidente Bolsonaro defende proposta mais ampla – em particular, uma mudança na constituição para permitir a redução de impostos sobre todos os combustíveis.

A potencial aprovação de uma mudança constitucional que reduza muito a arrecadação do governo deve elevar a percepção de risco fiscal no país, impactando os mercados, as perspectiva de inflação no futuro e os juros. Contamos tudo sobre o tema nesse vídeo.

Por fim, hoje ficamos de “quase PIB”. No calendário doméstico de hoje, as atenções estarão voltadas para a divulgação do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) relativo a dezembro. O indicador é considerado como bastante próximo do PIB (divulgado pelo IBGE, que usa outra metodologia), sendo um importante termômetro para a performance da nossa economia mensalmente.

Nas Horas vagas

Eu trago verdades duras, mas entusiasmo pra fazer parte da mudança! Você sabia que mulheres representam apenas 24% do foco de notícias no mundo? E que esse número segue praticamente o mesmo desde 2010?

E talvez até pior…quando aparecemos como sujeito principal, a vasta maioria das reportagens incluem as palavras: processo, negra, muçulmana, crime, estupro. Isso é o que mostra um levantamento de dados incrível feito pelo site “The Pudding”.

Mas não fique tão decepcionada(o)! A palavra “primeira” também apareceu com frequência, indicando como muitas mulheres estão trilhando, mesmo que gradualmente, o caminho para a mudança dessa realidade global. Confira os dados completos da pesquisa aqui, e vamos juntas(os) participar dessa mudança!

Elaborado por:

Paula Zogbi, CNPI 2545

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