• Mercados amanhecem em queda com preocupações a alta da inflação e possível aperto monetário, com retirada de estímulos à economia
  • Pesou no mau humor os resultados abaixo das expectativas de Apple e Amazon, e os futuros do Nasdaq caem no pré-mercado
  • Inflação também está nos holofotes na Zona do Euro, e índice de preços ao consumidor variou +4,1% anualmente. PIB, por outro lado, é sólido e reforça o quadro de recuperação da atividade
  • No Brasil, risco fiscal segue no radar com adiamento da votação da PEC dos precatórios

Mercados internacionais amanhecem em queda nessa sexta-feira no último pregão de outubro. Com resultados abaixo da expectativa divulgados ontem após o pregão, as preocupações a alta da inflação e possível aperto monetário, com retirada de estímulos à economia, voltou aos holofotes.

O gigante adormeceu. As gigantes de tech americanas Apple e Amazon reportaram ontem receitas abaixo do esperado devido aos problemas com a cadeia de produção, escassez global de semicondutores (os chips de computadores e smartphones) e altos custos de mão-de-obra, criando um sentimento negativo nos mercados. Com isso, futuros do Nasdaq caem 0,86% nessa manhã.

Ainda na terra do Tio Sam, os dados do PIB do último trimestre mostraram crescimento um pouco abaixo das projeções, com contribuições reduzidas dos investimentos e estoques. Do lado positivo, os dados de consumo das famílias teve aumento expressivo no período, especialmente em serviços.

Hoje ao longo do dia, mais indicadores relevantes da economia americana serão divulgados, com destaque para o deflator das despesas de consumo pessoal (PCE), a medida de inflação preferida do banco central americano, o Fed.

Juros iguais, inflação nem tanto. O Banco Central Europeu anunciou ontem que vai manter as taxas de juro de referência sem alterações, e reforçou que o programa emergencial de compras de ativos, que estimula a economia local, permanecerá até, no mínimo, março de 2022. Segundo a presidente do BCE, Christine Lagarde, a pressão inflacionária é, no geral, transitória, ainda que a persistência da alta de preços esteja maior do que se esperava inicialmente.

O índice de preços ao consumidor (CPI) da Zona do Euro, divulgado nesta manhã, apresentou variação anual de 4,1% em outubro, acima das expectativas, e atingiu o nível mais alto desde julho de 2008. Enquanto isso, o PIB da região teve bons resultados, reforçando o quadro de recuperação da atividade econômica, ainda que com ritmos diferentes entre países.

Lá na China, o mercado encerrou em alta, impulsionado por novos pagamentos de juros da dívida bilionária da Evergrande, o que tem tranquilizado o mercado chinês em relação ao risco de calote da gigante imobiliária chinesa.

E o risco fiscal? No Brasil, o resultado primário do governo central (saldo de receitas menos despesas do Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) em setembro veio acima das expectativas, ainda refletindo os números robustos de arrecadação tributária.

Vale lembrar que não são os resultados fiscais de curto prazo que estão guiando o comportamento do mercado nas últimas semanas: enquanto os dados positivos do Tesouro Nacional eram divulgados ontem, o mercado estava voltado para a Câmara dos Deputados, onde a votação da PEC dos Precatórios foi novamente adiada, elevando ainda mais a percepção de risco fiscal no país.

Elaborado por:

Betina Roxo, CNPI 1493
Paula Zogbi, CNPI 2545

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