• Depois de fala mais dovish do Presidente do FED ontem, pessoal fica de olho no pronunciamento da secretária do Tesouro dos EUA sobre mais do mesmo: inflação, juros e estímulos nos EUA.
  • Por aqui, o Banco Central abriu a porta para elevar a Selic para além de 6,5% nesse ano, aquele patamar neutro como a Suiça, para controlar as pressões inflacionárias por aqui.
  • Cringes se animam para a Disney com fortalecimento do real, enquanto as discussões sobre reforma tributária e potencial aumento de impostos (e redução de outros) também ganham força.
  • Senado aprovou aumento de CSLL para instituições financeiras. Todo mundo já sabia, mas pessoal é esquecido e deve balançar ações por aqui.

Nada de novo no front dos juros dos EUA – Depois de um discurso dovish, ou seja, mais flexível com a alta da inflação, mas sem grandes novidades do Presidente do FED Jerome Powell ontem, hoje os mercados aguardam o pronunciamento da secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, além de mais dirigentes do FED. Durante essas falas, fica todo mundo de olho se eles trarão algo novo ou alguma sinalização sobre a alta dos juros e a redução dos estímulos na terra do Tio Sam (será que essa é uma referência cringe?). Por enquanto, segue o jogo com a visão de que os juros deverão subir em meados de 2023, e os estímulos por meio de compra de ativos devem começar a ser reduzidos no ano que vem (quando? Saberemos mais em agosto).

Por aqui, teve Banco Central (de novo) também! Como vocês já sabiam porque leram por aqui, o Banco Central publicou ontem a ata de sua última reunião de política monetária. Mas nunca é demais repetir! O documento reforçou o tom mais “hawkish” (ou seja, duro com a inflação, ou quem sabe “falcônico” em português) observado no comunicado da semana passada. O Banco Central destacou que a economia está voltando mais rápido do que o esperado, intensificando impactos nos preços que vem da alta das commodities, de desequilíbrios na cadeia de produção e da crise hídrica – mesmo diante da apreciação recente do real. Com isso, abriu a porteira para uma alta mais forte da Selic se for preciso (além do patamar neutro de 6,5% – que não estimula nem desestimula a economia). Ou seja, os juros estão voltando a subir no Brasil, mas para um patamar saudável se tudo der certo, e o BC for bem sucedido em controlar a inflação!

Disney para você e eu, que somos cringes? No Brasil, a taxa de câmbio fechou abaixo de 5 reais por dólar pela primeira vez em um ano, animando perspectivas de viagens para aquela galera “vergonha alheia”, que, como eu, adora esse tal de Waldisney. Melhores perspectivas de crescimento por aqui, menores riscos fiscais de curto prazo e uma linguagem mais dura por parte do Banco Central tem sido os principais motores de uma moeda mais forte. Um FED “meio pomba” também ajuda (mantendo perspectivas de juros baixos e estímulos em andamento por um tempo nos EUA, conforme falamos acima), mas o real superou seus “migos” emergentes nos últimos meses. Apesar da recuperação recente, o real ainda está 20% mais fraco que os níveis pré-pandêmicos, sugerindo que a tendência de fortalecimento pode continuar no curto prazo.

Quem mexeu no meu dividendo (2)? Como antecipamos ontem, o governo prepara uma proposta para implementar um imposto sobre de dividendos por aqui (hoje, todos os pagamentos de dividendos são isentos de tributos). Como imaginado, as empresas pagadoras de dividendos reagiram mal à notícias ontem, mas podemos olhar o copo meio cheio! Conforme detalhado em material bem completo pelo time da XP aqui, a ideia é que o aumento seja parcialmente compensado por uma ampliação da faixa de isenção do imposto de renda para pessoa física e pela redução do imposto de renda para pessoa jurídica (para incentivas investimentos produtivos na própria empresa). Além disso, a proposta visa tributar grandes fortunas, enquanto pequenos investidores continuariam isentos. Finalmente, sabemos que nada disso acontece da noite para o dia (muito menos por aqui, né?), então ainda podemos ver bastante mudança ao longo do processo de discussão e aprovação no Congresso dessa e outras partes da Reforma Tributária.

“Puts esqueci”, ainda tinha essa da CSLL  – Os investidores estão também de olho na Medida Provisória aprovada ontem, que eleva a alíquota da Constituição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL – um imposto cobrado de instituições financeiras) de 20% para 25% até o final desse ano, para bancar o subsídio ao diesel e ao gás de cozinha. O aumento já era esperado, mas pode causar aquela sensação de “puts, tinha esquecido” e balançar as ações de bancos e outras instituições financeiras nos próximos dias.

Nas horas vagas – Como uma boa “garota dos anos 1990”, sigo chocada como as coisas evoluem rápido hoje! Até ontem as 8:30, eu não tinha ideia e nunca tinha ouvido a palavra cringe, ao menos não nesse contexto maluco que aparentemente os jovens que não gostam de café da manhã ou emojis (sacrilégio!) usam. Desde então, só consigo ouvir falar disso, e concluir que de fato sou praticamente uma velha caquética – pelo menos eu não tomo café (sabia que um dia isso seria cool).

Elaborado por:

Betina Roxo, CNPI 1493
Paula Zogbi, CNPI 2545

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