• Depois de muita volatilidade, mercados amanhecem mais aliviados no Brasil e no mundo.
  • A empresa Evergrande (a incorporadora chinesa que virou hit e âncora nos mercados globais) anunciou que fará parte dos pagamentos de títulos que vencem essa semana. Essa notícia traz alívio, por indicar que o episódio deve se restringir majoritariamente ao mercado chinês, aliviando a percepção de risco.
  • No Brasil, respiro vem também de uma possível saída para a questão dos precatórios – as dívidas da União que estão “barrando” o orçamento para o ano que vem, e elevando o risco fiscal. Mas a solução ainda precisa ser aprovado no Congresso.
  • E chegamos à super quarta! Teremos reunião de diretores do Banco Central nos EUA e no Brasil. Esperamos Selic em 6,25% por aqui, e anúncio da redução de estímulos nos EUA só em novembro.

Primavera, respiro e precatórios. Depois de uma segunda-feira de muita volatilidade, parece que a chegada da primavera trouxe consigo um ar mais leve, e o Ibovespa fechou em alta de 1,29% ontem. Na mesma toada, as taxas futuras de juros fecharam o dia em baixa ontem, com maior intensidade nos vencimentos mais longos – o que indica menor percepção de risco fiscal entre investidores sobre o longo prazo.

Por trás do bom humor no cenário doméstico estão os primeiros sinais de um consenso sobre a questão dos precatórios (aquelas dívidas da União que subiram mais do que o esperado, colocando o orçamento do ano que vem no talo). A solução encontrada envolveria o pagamento de parte da dívida dentro da regra do teto de gastos ainda em 2022, e parte (que não couber no teto e não for de pequeno valor) seria renegociada ao longo dos próximos anos. Para não acumular dívidas, seriam oferecidas algumas opções de renegociação para os credores, que inclui o recebimento imediato, mas com descontos.

Notou que usei bastante “ia”? Pois é, a solução ainda precisará ser aprovada pelo Congresso, e deve enfrentar oposição. Ou seja, ainda não encerramos esse capítulo, e enquanto isso, o risco fiscal permanece elevado.

Teve ajuda Evergrande também da China. O cenário internacional também ajudou na melhora dos humores acirrados por aqui, como vemos nos índices futuros dessa manhã de quarta-feira. Animados com o anúncio de parte dos pagamentos de juros da empresa Evergrande (a incorporadora chinesa que virou hit e âncora nos mercados globais nos últimos dias, como contamos aqui), os mercados amanhecem revertendo parte do mau humor dos últimos dias nas principais bolsas do mundo.

Nesse bonde, o minério de ferro também começa a finalmente se recuperar das baixas históricas recentes, subindo 13% na manhã de hoje. Notícia boa para empresas mineradoras ao redor do mundo, como a nossa Vale, que mostram sinais azuis na tela nesse início de dia.

Mas segura a ansiedade, que a cautela segue. Apesar da melhora de humor, incertezas ainda pairam sobre o cenário internacional. Nos EUA, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que suspende o limite da dívida pública por um ano, mas pode não vingar no Senado. O projeto é importante porque, caso não seja aprovado, veremos mais incerteza vindo da Terra do Tio Sam, com risco de paralização do governo por um período – sem dívida maior, o governo não pode emitir mais dívida, e em tese, fica sem recursos para pagar o orçamento e pode “parar tudo” (deixar de pagar funcionários públicos, por exemplo).

Falando em cautela, teremos FOMC e pontinhos nos EUA também. Chegou aquela super quarta-feira que tanto esperávamos, e isso significa que teremos reunião do comitê de política monetária nos EUA – o FOMC. O anúncio sobre o início da retirada dos estímulos (o famoso tapering) deve ficar só para a reunião de novembro.

Mas não por isso, ainda tem o que prestar atenção por lá! As atenções estarão voltadas para o famoso gráfico de pontos dos diretores do Fed (o Banco Central americano) – que nada mais é do que cada diretor colocando um “pontinho” indicando onde acha que os juros estarão em determinado ano. Tipo batalha naval: “2023, aumento de 1pp”.

Isso é importante, pois todo o mercado quer saber quando os juros começarão a subir por lá, enxugando mais a liquidez (dinheiro rolando solto) nos EUA e no resto do mundo. Nossa aposta? Segunda metade de 2023, e bem gradualmente.

E por último, mas não menos importante, todos os olhos nos juros por aqui! Como a super quarta só é “super” porque tem mais de uma reunião de gente importante falando de juros, hoje teremos também nosso comitê de política monetária do Banco Central (o Copom). Como contamos pra vocês ontem em nosso “Esquenta pro Copom”, esperamos uma alta de 1pp na Selic, elevando nossa taxa básica de juros para 6,25%. Segundo “apostas” no mercado, 88% do pessoal também está com essa expectativa.

Quer saber o que esperar de impactos no mercado de renda fixa, tipo como reagirá o seu título do Tesouro atrelado a inflação, como uma NTN-B? Então clica aqui, que o time de renda fixa da XP preparou um excelente resumo desses movimentos! Segue um pequeno spoiler:

Alta de 1pp, em linha com o que esperamos:

Alta além de 1pp, acima do que esperamos:

Nas horas vagas

Está sem séries para assistir, e fica zapeando para saber o que ver? Não faça como eu, e assista a velhas séries que você já viu 35 vezes de trás pra frente! E sim, vai lá nos premiados do Emmy 2021, que tem várias dicas de novas séries boas, e sabemos agora, premiadas! Eu vou me policiar para fazer o mesmo, será que consigo?

Elaborado por:

Betina Roxo, CNPI 1493
Paula Zogbi, CNPI 2545

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