• Sexta-feira começa vermelha nos mercados globais, com empresas de tecnologia sofrendo mais com o começo do movimento de aumento de juros no mundo;
  • A Ômicron também preocupa, especialmente entre não vacinados;
  • No Brasil, juros mais altos no mundo e pressões por (ainda) mais gastos no ano que vem pioram a percepção de risco sobre investir aqui, impactando nossa moeda e nosso mercado.

Sextou com cautela nos mercados globais. Após uma semana em grande parte positiva, mercados amanhecem no vermelho, levados principalmente pela queda de ações de tecnologia, que reagem ao aumento de juros e redução de estímulos monetários ao redor do mundo. Contamos mais logo abaixo, mas vale lembrar que maiores juros tendem a impactar empresas que tem grande parte da sua atratividade em perspectivas de crescimento no longo prazo, como as de tecnologia, por aumentarem o custo de financiamento e reduzirem o valor da empresa analisado hoje, quando considerado esses custos mais altos no futuro (o famoso “valor presente”).

Na China, empresas de tecnologia também sofrem por conta de novas sanções dos EUA sobre produtos importados do país, após a inclusão de 34 novas empresas à lista de entidades para quais a exportação de tecnologia americana é proibida.

Inverno dos não vacinados. O mau humor também é puxado por preocupações ao avanço da Ômicron, que está causando fechamentos, distanciamento ou outras medidas de contenção da pandemia pelo menos em regiões nos Estados Unidos, Austrália, Reino Unido e China. Para o presidente americano, Joe Biden, as pessoas que optaram por não se vacinar no país devem encarar ‘um inverno da morte’.

Nada de “Maria vai com as outras”. Fechando a semana de decisões dos principais Bancos Centrais do mundo, o Banco do Japão anunciou que não seguirá o caminho de grande parte dos seus “colegas”, incluindo o FED (Banco Central americano) e o Banco da Inglaterra (Banco Central britânico) de medidas mais duras para conter os preços na economia. Apesar de diminuir seu programa de compra de ativos, o BC japonês também indicou a extensão de empréstimos a pequenas empresas por mais 6 meses, e segue com os juros em patamares negativos para estimular a economia.

Brace yourselves, juros altos estão chegando. Por outro lado, a verdadeira bateria de decisões de política monetária dessa semana deixou claro o movimento de redução de estímulos nas economias desenvolvidas para conter o avanço da inflação – que segue batendo recordes em diversos países. A redução de estímulos indiretos (como a compra de ativos) e o aumento de juros em países ricos significa menos liquidez nos mercados globais – ou seja, menos dinheiro sendo injetado na economia a procura de melhores retornos – e impacta ativos financeiros de países emergentes, como a taxa de câmbio. Afinal, com maiores juros em ativos de países menos arriscados, investidores pensam um pouco mais sobre investir onde o risco é maior, como aqui.

O movimento já começou a ser sentido nos mercados aqui no Brasil. Ontem, as taxas de juros futuros fecharam o dia em alta. Ou seja, investidores (enxergam os juros mais altos nos próximos anos, aumentado a taxa cobrado para financiar o Brasil no longo prazo. Isso impacta o mercado de títulos de renda fixa, como contamos em detalhes aqui.  

No Brasil, a pressão por mais gastos continua. Após a aprovação final e completa da PEC dos Precatórios, que parecia ter colocado um “basta” na discussão para o orçamento do ano que vem, reduzindo as incertezas do lado fiscal, o ano se encerra com mais pressões para gastos por parte da classe política. Ontem, o Ministério da Economia cedeu ao presidente Bolsonaro e levará o pedido de reajuste de policiais federais ao relator do orçamento, Hugo Mota. O time econômico agora tenta evitar que outros aumentos sejam dados. A cada 1% de aumento linear, o impacto é de R$ 3,0 bilhões. 

Além disso, outras demandas incluem a alteração da tabela do imposto de renda (aumentando a faixa de isentos ao pagamento do imposto), auxílios a caminhoneiros e aumento do fundo eleitoral, que pode chegar a R$ 5,7 bilhões.

Falamos mais sobre o impacto dessas discussões e do risco fiscal nos seus investimentos aqui.

Nas horas vagas

Fui só eu, ou vocês também notaram a redução dos famosos amigos secreto natalinos nesse ano? Me pergunto se é um efeito da inflação alta, afinal, atingimos 10,7% em novembro. E não, esse motivo não seria nada positivo ou motivo de comemoração.

Mas pode ser também que o ano de 2021 será o ano em que grande parte da população global notou que essa brincadeira não vale o custo, adiciona um presente a mais na lista, e poderia simplesmente ser substituída por mais vinhos, cervejas ou chocotones e petiscos nas confraternizações de fim de ano. Um verdadeiro marco!

Ok, talvez exagere e isso seja apenas na minha pequena bolha em SP, Brasil. Mas #ficaadicamundo.

Elaborado por:

Betina Roxo, CNPI 1493
Paula Zogbi, CNPI 2545

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