• Mercados globais amanhecem em queda, digerindo a sinalização de que o Fed pode aumentar os juros antes do esperado
  • O Copom elevou a Selic em 0,75 p.p., chegando a 4,25% ao ano, em linha com o esperado pelo mercado
  • Fed manteve a taxa de juros e o programa de compra de ativos nos EUA, mas assume posição mais hawkish, sinalizando duas altas da taxa de juros até o final de 2023

Não estamos no National Geographic, mas antes de falar da Super Quarta precisamos falar sobre falcões e pombas, emprestando do insight da Rachel de ontem:

  • Hawkish: a imagem do falcão, em política monetária, faz referência a um comportamento de banqueiros centrais mais preocupados com o controle da inflação, menos lenientes com a alta de preços e o potencial distanciamento da meta.
  • Dovish: evocando os voos serenos, em política monetária as pombas são associados a autoridades monetárias mais lenientes com a inflação. Para os quais “um pouquinho de alta de preços não faz mal a ninguém”, mesmo que se distancie da meta almejada.

Em portugês, falcão. Ontem no fim do dia foi divulgada a decisão do Copom de elevar a taxa Selic em 0,75 p.p., que atinge 4,25% ao ano. Esse resultado não foi surpresa e já era esperado pela maior parte do mercado. De forma geral, lemos o comunicado do Copom com tom mais hawkish, com preocupação mais forte quanto ao efeito da inflação atualmente pressionada sobre o comportamento da inflação futura, além de destacar a retomada mais forte da atividade, a resiliência da demanda e o impacto do cenário hídrico sobre as tarifas de energia.

O que realmente chamou a atenção ontem foi a retirada da referência à normalização parcial da taxa de juros, indicando que o comitê pretende levar a Selic para o patamar neutro. Ainda, o Copom sinalizou outro ajuste de igual magnitude (0,75 p.p.) na próxima reunião, mas acrescentou que uma deterioração das expectativas inflacionárias poderia exigir uma aceleração no ritmo de elevação da taxa Selic. A decisão anunciada ontem reforçou nosso cenário de aumento da taxa de juros para 6,50% até o final de 2021.

Quem ganha com a alta da Selic? As ações que se beneficiam diretamente da alta nos juros tendem a ser as de bancos e seguradoras, que podem aumentar seus spreads (o quanto ganham com o que cobram de juros menos o que pagam) e potencializar sua receita.

Por outro lado, empresas de varejo e de construção civil tendem a ser negativamente afetadas por juros mais altos. Para entender isso, é só pensar que o parcelamento passa a doer mais no bolso dos clientes, que passam a evitar gastar quando possível. Apesar disso, o ritmo de crescimento da economia pode fazer muita diferença nessa dinâmica, e o juro real ainda está muito próximo de zero. Para saber quais as ações que gestores e analistas do mercado mais gostam, não deixe de conhecer as nossas Estrelas da Bolsa.

Em inglês, hawk. Na reunião do comitê de política monetária do Federal Reserve, o FOMC, não houve mudanças na taxa de juros ou programa de compra de ativos nos EUA, como já era amplamente esperado. As atenções, porém, ficaram para a sinalização do “dot chart” do comitê, ): as projeções dos dirigentes do banco central americano passaram a sinalizar duas altas da taxa de juros de referência até o final de 2023 (na reunião anterior, as expectativas não indicavam elevação antes de 2024). Além disso, um número maior de membros (de 4 para 7) agora prevê início do ciclo de aperto monetário em 2022.

A sinalização surpreendeu o mercado, mas a movimentação nessa direção já estava no radar do nosso time diante de pressões inflacionárias correntes, de cunho majoritariamente temporário, e a retomada da atividade diante do avanço da vacinação. Quanto ao momento de redução de estímulos, o Fed deve esperar mais informações antes de sinalização mais definitiva, esperada para agosto no simpósio em Jackson Hole.

A ressaca da super quarta. Os mercados globais amanhecem em queda após a sequência de altas das ultimas semanas, digerindo a sinalização de que o Fed pode subir os juros nos EUA antes do esperado. Os futuros do S&P caem 0,33% e os do Nasdaq caem 0,52%, e o Stoxx600 interrompe 9 dias de ganhos e cai 0,44%. Enquanto isso, o dólar teve a maior alta em 1 dia dos últimos 15 meses, e os juros dos títulos do tesouro americano de 10 anos, as Treasuries, subiram 9 pontos-base e chegaram a 1,57%.

Dólar a R$5? O dólar chegou ao patamar simbólico de 5 reais durante o dia ontem, mas o movimento foi revertido e a cotação fechou em alta com investidores reagindo à ata do FOMC, em R$5,06.

Além dos BCs. O Ibovespa fechou o dia ontem em leve queda de 0,64%, puxado pela queda brusca do setor de mineração e siderurgia. O movimento foi estimulado por anúncios da China de que o país planeja vender parte das reservas nacionais dos principais metais industriais para conter a alta das commodities.

Elaborado por:

Betina Roxo, CNPI 1493
Paula Zogbi, CNPI 2545

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