• A confiança suprema que reinava nos EUA foi sacudida com dados de emprego e de inflação.
  • Os mercados se questionam se o Fed tem o controle da inflação e se preocupam com o momento de aumento dos juros, o que impactou as bolsas no pregão de ontem e continua hoje.
  • Nos EUA, o oleoduto que une Texas e Nova York voltou a operar no fim da tarde ontem, mas a normalização deve levar alguns dias.
  • No Brasil, no debate do orçamento de 2021, o governo deve encaminhar um projeto de lei para restituir em torno de R$ 2,5 bilhões o orçamento de ministérios.
  • Além disso, o BC divulga hoje o IBC-BR de março após surpresas com os resultados de varejo na semana passada.

É, meus/minhas caros(as) 13 leitores(as), que dia foi ontem…

A confiança suprema que reinava até duas semanas sobre a economia dos EUA e o estímulo contínuo do Fed foi sacudida na semana passada, com os dados de emprego (payroll) aquém das expectativas e ontem, pelos dados de inflação acima das expectativas.

O mercado esperava um aumento da inflação em abril de 0,2%, beeem abaixo do 0,77% que veio no mês contra mês (+4,15% ano contra ano em abril vs +2,64% em março).

O núcleo da inflação (que tira os itens mais voláteis tanto de bens quanto serviços) também veio acima das expectativas, aumentando 0,92% m/m. No ano contra ano, foi de 1,65% em março para 2,96% em abril.

Esse é o maior aumento anual visto no CPI (índice de preços) desde setembro de 2008, logo antes do início da grande recessão.

O que chamou bastante atenção: o aumento descomunal da inflação foi uma função de uma série de eventos específicos. Entre outros (como commodities e setores mais sensíveis a normalização da atividade, como hospedagem e passagens de avião), o custo de carros e caminhões usados aumentou 10% m/m com ajuste sazonal em abril, o maior aumento já registrado desde que a série do CPI foi iniciada em 1953. Esse aumento foi responsável por mais de 30% do aumento da inflação total.

Nossa, mas por quê? Oferta vs. demanda, meu bem.

O aumento dos preços dos carros usados é uma função direta de (i) cheques de estímulo de Biden, que NÃO é um evento recorrente, e (ii) fornecimento restrito de carros novos. A oferta de carros novos está sendo afetada pela falta de oferta mundial de chips e outros componentes importantes. E essa falta de abastecimento é uma função direta da decisão que o mundo tomou em 2020 de fechar para controlar a propagação do vírus, além do aumento da demanda excessiva que resultou na busca por equipamentos relacionados ao “ficar em casa” — computadores, iPads , máquinas de exercício, etc.

Depois de atualizar o modelo com os novos dados, o Estrategista Global da XP Inc., Alberto Bernal agora espera que a inflação americana atinja um pico em maio de 4,6% a/a (vs 3,7% nas projeções de antes), caindo em seguida para 3,4% no final de 2021 (2,5% antes). Olhando para 2022, Bernal mantém a visão de que – ambos – a inflação principal e o núcleo cairão para menos de 2% a/a devido a (i) crescimento econômico mais lento, (ii) nenhum estímulo adicional aos consumidores, ou seja, não há mais cheques ou aumento do seguro-desemprego, e (iii) pressões desinflacionárias persistentes de longo prazo voltando a entrar em ação – automação, inteligência artificial, envelhecimento da população, menores taxas de natalidade, menores níveis de domicílio formação.

Apesar disso, os mercados se questionam se o Fed tem o controle da inflação e se preocupam com o momento de redução de estímulos na economia, além do aumento dos juros (a vir depois). Afinal, a redução dos estímulos e aumento dos juros, se feitos muito rápido e de surpresa, traria efeitos em todo o mercado, impactando inclusive a economia real.

Com menos estímulos, a economia poderia crescer menos, menos consumo, menos lucros para empresas. Além disso, os juros mais altos podem impactar as famílias muito endividadas (porque ter dívida hoje é muito barato), mesmo com a poupança atingindo níveis recordes. Assim, os juros (pra cima) e as bolsas (pra baixo) refletiram tudo isso ontem, não só lá como aqui no Brasil também.

Por falar em inflação, sabia que você deveria levar o aumento dos preços em consideração na hora de calcular seus dividendos? No Insight de hoje explicamos o porquê disso, trazemos as boas pagadoras de dividendos de maio e ainda falamos de renda fixa nas carteiras.

Enquanto isso, o Bitcoin caiu até 15% depois que Elon Musk tweetou que a Tesla não estava mais aceitando a moeda digital para compras de veículos devido a preocupações ambientais.

Hoje, as bolsas operam em queda novamente. O EuroStoxx cai 1,7% enquanto o futuro do S&P cai 0,4% e do Nasdaq100, 0,4%. Bolsas na Ásia fecharam também no vermelho.

Nos EUA, o oleoduto que une Texas e Nova York voltou a operar no fim da tarde ontem, mas deve levar alguns dias para que haja normalização no abastecimento dos postos de combustíveis.

O conflito entre Israel e palestinos continua escalando, com mísseis sendo atirados a partir de Gaza e Israel fazendo ataques aéreos. Os conflitos entre judeus e muçulmanos se espalharam também para várias cidades de Israel.

No Brasil, no debate do orçamento de 2021, o governo deve encaminhar um projeto de lei para restituir em torno de R$ 2,5 bilhões o orçamento de ministérios, principalmente para o Ministério do Desenvolvimento Regional tocar o programa Casa Verde e Amarela e ao Ministério do Meio Ambiente. Com o objetivo de atender mais demandas dos ministérios, há a previsão de um segundo projeto, a ser entregue após o próximo dia 22 — dia da divulgação do próximo relatório bimestral de receitas e despesas, publicado pelo Tesouro Nacional — que reduzirá a previsão orçamentária de obrigatórias, liberando até R$ 2 bilhões dentro do teto de gastos. Outras revisões, sobre o Benefício de Prestação Continuada (BPC), por exemplo, estão sendo analisadas.

Além disso, o Banco Central divulga hoje o IBC-BR de março após surpresas com os resultados de varejo na semana passada e com o indicador mensal de serviços. Esperamos que a economia tenha recuado 3,3% m/m no mês (+6,3% a/a). O consenso espera recuo de 3,4% no mês e crescimento de 6% a/a.

Nas horas vagas

YouTube vs. TikTok: Após sucesso absoluto, o TikTok ganhou mais um concorrente de peso. Não bastassem o Instagram Reels e o Snapchat Spotlight, agora o YouTube (comprado pelo Google em 2006, por US$ 1,6bi) também anunciou um investimento massivo em sua plataforma de vídeos curtos.

Serão US$ 100 milhões destinados ao pagamento de criadores de conteúdo para que postem no aplicativo YouTube Shorts. Ainda está em aberto o quanto cada “Shorter” deve ganhar pelos vídeos, no entanto, a quantia é significativa quando comparada ao fundo de US$ 200 milhões levantado em julho de 2020 pelo TikTok.

BDRs do Google (GOGL34) sobem 28% no ano.

Para mais informações como essa, o time de Estratégia Global da XP publica todos os dias o Radar Global – vale a leitura!

Elaborado por:

Betina Roxo, CNPI 1493
Paula Zogbi, CNPI 2545

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