• O Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa Selic para 9,25% ao ano, e indicou que mais altas vem por aí.
  • A decisão era bastante esperada, e não deve trazer grandes movimentos pros mercados hoje. Porém, traz um marco importante: a poupança passa a valer ainda menos a pena!
  • Na China, a inflação segue alta, mas dá algum fôlego e espaço para mais estímulos econômicos.
  • No mundo, Ômicron segue em foco, com resultados mistos sobre a eficácia de vacinas e severidade da variante.

Mercados mistos, com Ômicron em foco. Quinta-feira com mercados globais mistos, ainda impactados por notícias inconclusivas sobre a variante Ômicron. De um lado, o mercado se animou depois que as farmecêuticas Pfizer e a BioNTech disseram que uma dose de reforço de suas vacinas fornece um alto nível de proteção contra a variante Ômicron. Do outro, um estudo preliminar feito por cientistas japoneses aponta que a nova cepa é 4,2 vezes mais transmissível que a Delta, e tem maior facilidade de escapar da imunidade adquirida por vacinas ou por infecções prévias; porém, do lado positivo, indica que a variante parece ter sintomas mais leves.

Inflação alta, mas caindo na China. Na China, o índice de inflação ao produtor de novembro surpreendeu para cima, refletindo preços ainda bastante pressionados de commodities e restrições nas cadeias de insumos. Mas a variação do índice em doze meses desacelerou em relação ao mês de outubro, dando sinais que o pior pode já ter ficado para trás. Isso puxou os mercados para cima, uma vez que abre espaço para que o Banco Central Chinês amplie os estímulos econômicos.

Essas sinalizações de maior atuação do Banco Central para aliviar pressões financeiras no páis é importante, dado a preocupação crescente sobre o setor de infraestrutura e imobiliário no país – a incorporadora Evergrande perdeu o prazo para pagamento de cupom, e agora oficialmente cometeu um calote.

Por aqui, destaque pro Copom: cheio de Selic, em 9,25%. O Comitê de Política Monetária do Banco Central (o Copom) determinou ontem a elevação da nossa taxa básica de juros, a Selic, para 9,25% ao ano. A taxa está em processo de elevação desde março deste ano, quando subiu de 2,00% para 2,75%, após o auge da pandemia da Covid-19 – período no qual o Banco Central julgou necessária a queda dos juros para estimular a economia, minimizando os impactos da pandemia sobre a atividade econômica do país.

Te contamos tudo em maiores detalhes aqui, mas já posso adiantar que, com base no comunicado publicado pelo Copom após a decisão, esperamos que essa elevação da Selic siga até março de 2022, quando a taxa deve atingir 11,50%. O tom mais duro contra a inflação (hawkish, na linguagem do mercado) observado no comunicado reforça essa visão, com destaque para a preocupação não somente com o nível elevado da inflação hoje, mas também com as expectativas sobre a inflação nos próximos anos.

A poupança foi de mal, pra pior. A decisão de hoje não deve ter grandes impactos no mercado no curto prazo, dado que veio em linha com o esperado pela grande maioria dos analistas, inclusive nós (se você leu nosso “Esquenta pro Copom” de ontem, já sabia também!). Ou seja, não devemos esperar movimentos muito significativos no mercado de renda fixa, ou na taxa de câmbio (“no dólar” por aqui). Mas ela traz um marco importante para o investidor. Com a Selic acima de 8,5%, a poupança se torna ainda menos vantajosa para investidores – uma vez que passa a render aproximadamente 6% ao ano, independente de maiores altas na taxa Selic. Falamos mais sobre isso no texto de hoje, da Paula Zogbi.

É claro, PEC dos Precatórios. Como esperado, o texto parcial da PEC dos Precatórios foi promulgado ontem no Congresso, após acordo entre a Câmara e o Senado em fatiar a proposta para evitar maiores delongas no processo de aprovação. O texto promulgado altera a regra de correção do teto de gastos (mudando o período de inflação usado na correção do total permitido para os gastos no ano), liberando pouco mais de R$ 60 bilhões para o orçamento de 2022. O limite para o pagamento de precatórios (dívidas judiciais do governo federal), que garantiria outros R$ 44 bi para o ano que vem, dependerá de votação na Câmara, a ser realizada na próxima terça-feira (14).

Nas horas vagas

Eu me peguei rindo de nossas interpretações quando crianças de frases e ditados populares. Obviamente você já deve ter ouvido a expressão “Lei de Murphy”, em que tudo acaba acontecendo exatamente ao contrário do que planejamos, e dá tudo errado no final, certo?

Pois é, com esse fim de ano completamente cheio de situações que o Sr. Murphy ficaria orgulhoso de mim, me lembrei que por muitos anos, eu estava certa de que e expressão se relacionava à uma moça, muito elegante, cuja vida só pregava peças, e acaba dando tudo errado. Lhes apresento: a Lady Murphy.

Aparentemente a verdadeira história por trás da expressão data de 1949, do experimento de um engenheiro americano (o tal do Murphy), que demorou 11 anos para concluir que “qualquer coisa que pode dar errado no mar, geralmente dá errado, mais cedo ou mais tarde”.

Minha versão parece mais legal, não é mesmo?

Elaborado por:

Betina Roxo, CNPI 1493
Paula Zogbi, CNPI 2545

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