• Após queda de ontem puxada pelas ações de tech, mercados amanhecem mais animados nessa terça e futuros americanos e bolsas europeias sobem
  • Investidores ainda têm vários riscos no radar, que vão de dívida do setor imobiliário na China a redução de estímulos monetários nos EUA, e devem ditar movimentos nos próximos dias
  • Joe Biden afirmou ontem que não pode garantir que o governo não vai romper o teto da dívida a não ser que o Congresso aprove medida para aumentá-lo. O default, além de histórico, deixaria o governo sem dinheiro para cumprir obrigações
  • Preços do petróleo atingiram a máxima desde 2014 logo após o anúncio da OPEP+ de que produção deve aumentar gradualmente, e levantam temores de estagflação

Alô, tem alguém aí? A queda nas redes sociais ontem deixou muita gente incomunicável, mas continuamos atentos aos mercados por aqui. Hoje, os futuros americanos e bolsas europeias sobem após correção ontem nos principais índices em meio a preocupações com a desaceleração do crescimento econômico e a subida global na inflação e taxa de juros.

Aversão ao risco. O movimento na semana deve ser ditado por essa aversão, dados os muitos riscos globais que vem impactando os mercados. As preocupações vão de dívida do setor imobiliário na China até preços crescentes de energia na Europa e redução de estímulos monetários nos EUA. Dentre os vários riscos que aparecem, resta sabermos quais devem persistir e se tornarem mais relevantes adiante.

Não foi só seu WhatsApp que caiu. O dia ontem foi de correção lá fora, principalmente as big techs, que foram puxadas pela queda (na bolsa e na internet) do Facebook durante o pregão. O movimento foi acentuado pela crise nas redes do Zuck, mas já vinha acontecendo: os investidores estão diminuindo suas posições em nomes de crescimento à medida que avistam mais riscos no futuro com o aumento dos juros das treasuries (os títulos do Tesouro americano). Hoje, pontualmente, parece que os investidores estão seguindo aquele ditado famoso de “compre na baixa” e correndo atrás das ações de tech que sofreram ontem.

Devo, não nego. Outro risco: dívida americana. A duas semanas do prazo de 18 de outubro, o presidente Joe Biden afirmou ontem que não pode garantir que o governo não vai romper o teto da dívida, de US$ 28,4 trilhões, a não ser que o Congresso aprove medida para aumentá-lo. Um default (em bom português, calote) da dívida americana, além de histórico, deixaria o governo sem dinheiro para para cumprir suas obrigações.

O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, deve pautar o tema mais uma vez nesta quarta-feira (6), no que será a terceira tentativa de suspender o teto da dívida até o fim de 2022. No entanto, sem avanços nas negociações com republicanos, o panorama permanece negativo para o projeto até o momento.

Do outro lado do Atlântico, PMIs europeus sugerem que a recuperação econômica no bloco continua. As sondagens com gerentes de compras de empresas (os tais PMIs) de setembro registraram bons resultados na Europa. Os números estão confortavelmente acima de 50 (indicando expansão) na Itália, França e Alemanha tanto na indústria como em serviços. Como resultado, o Índice Composto da Zona do Euro está em 56,2 (era 56,1 em agosto). Na mesma direção, a produção industrial da França cresceu 1% em agosto, acima do esperado pelo consenso.

Ouro negro. Os membros da OPEP+ (Organização dos Países Produtores de Petróleo e aliados) disseram ontem que manteriam o plano de aumentar a oferta de petróleo apenas gradualmente, decepcionando parte das expectativas do mercado. Em resposta, os preços do petróleo atingiram a máxima desde 2014 logo após o anúncio.

Inflação alta + crescimento estagnado. Além do petróleo, a maioria das commodities continuou em alta ontem, trazendo temores de estagflação para analistas e bancos centrais, já que o alto preço dos materiais básicos pressiona a inflação ao mesmo tempo que limita a produção e a retomada econômica.

No Brasil, o presidente do banco central Roberto Campos disse que a inflação do IPCA terá seu pico em setembro, e então começará a desacelerar gradualmente. Campos reitera que a política monetária será ajustada visando cumprir a meta de inflação para 2022, que é de 3,5%.

Rolem os dados. O destaque hoje são os números da produção industrial brasileira de agosto. Nossa expectativa é de +0,1% contra o último mês, enquanto o consenso espera queda de 0,3% no número. Pesquisas industriais sugerem que a demanda por bens manufaturados permanece sólida — a produção, no entanto, tem sido prejudicada pela escassez de insumos importantes, como chips para a indústria automotiva.

Nas horas vagas

Português é a 5ª língua mais falada no mundo e por isso tem uma diversidade grande de sotaques. Esse vídeo, que também está exposto no Museu da Língua Portuguesa aqui em São Paulo, passa por vários deles — de Lisboa a Macau, na China — em uma leitura de um dos meus autores preferidos, Valter Hugo Mãe, com o livro “O paraíso são os outros”:

Elaborado por:

Betina Roxo, CNPI 1493
Paula Zogbi, CNPI 2545

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