• Quinta-feira de início do fim (de estímulos) nos EUA. O Banco Central por lá (o FED) decidiu que começará a reduzir seu programa de compra de ativos no mercado, já que a economia se recupera bem, e que os preços seguem altos.
  • A decisão impacta países emergentes, como nós, uma vez que reduz a liquidez (“chuva de dinheiro”) no mundo. Com menos dinheiro no mundo, países mais arriscados se tornam relativamente menos atrativos.
  • Mas o dinheiro não vai secar tão cedo, já que os juros só devem subir nos EUA em meados do ano que vem – e bem devagar.
  • No Brasil, vitória para o governo no Congresso, com a aprovação da mudança na constituição que permitirá maiores gastos no ano que vem.

Nessa quinta-feira bolsas na Europa e futuros nos EUA amanhecem majoritariamente em alta, depois que o Banco Central dos Estados Unidos (Federal Reserve, ou apenas Fed) sinalizou otimismo com a economia do país, e anunciou o início do tapering ontem.

Tirou o pé do acelerador. Tapering? Quê? O FED anunciou ontem que vai começar a diminuir o ritmo de suas compras de ativos financeiros no mercado nesse mês, reduzindo assim o nível de estímulos à economia (ou, como chamamos ontem “a chuva de dólar”). O ritmo será de redução de US$ 15 bilhões em compras de títulos ao mês – devendo, portanto, ser finalizado no meio do ano que vem (se não houver aumento neste ritmo).

A taxa de juros foi mantida no patamar próximo de zero, mas o discurso do Fed mostrou-se um pouco mais preocupado com a alta recente dos preços na economia (que para o FED, “é esperada que seja transitória”). Ao mesmo tempo, a autoridade monetária também indicou que o movimento é causado por desequilíbrios da pandemia e pelo retorno de atividades como serviços na economia, e que o mercado de trabalho ainda precisa se recuperar um pouco (lembrando que, nos EUA, o Banco Central também é responsável por controlar a taxa de desemprego). Assim, acreditamos que a primeira alta de juros por lá deva acontecer no último trimestre de 2022.

Por que nos importamos com isso, mesmo? Como temos falado, menores estímulos no mundo acabam afetando países considerados mais arriscados, como o Brasil. Afinal, com menos dinheiro sendo injetado nos mercados globais, investidores se tornam mais avessos à riscos. Na mesma toada, juros mais altos nos EUA pressionam os nossos juros aqui no sul do continente, uma vez que reduzem nosso ganho relativo – com juros maiores lá, investidores pensam um pouco mais sobre investir aqui, onde o risco é maior.

Do contra que somos, real fortaleceu. A redução de estímulos nos EUA também pressiona moedas de países emergentes, como de fato ocorreu ontem. Mas, como gostamos de ser do contra, o real registrou alta no dia de ontem, fechando o dia com o dólar abaixo de 5,60 reais. O motivo foi a indicação de que, apesar de menos estímulos, o FED ainda não sinalizou quando começará a elevar os juros (como falamos, algo que devemos ver só após o meio do ano que vem). Além disso, os detalhes da nossa reunião do Comitê de Política Monetária por aqui – que trouxe uma mensagem considerada forte contra a inflação – deram também uma mãozinha para fortalecer nossa moeda.

Falando em Brasil, ponto pro governo no Congresso. O governo conseguiu vitória por margem apertada no texto base da PEC dos Precatórios. A mudança constitucional altera as regras para o pagamento das dívidas judicias da União (os famosos precatórios), com o objetivo de postergar parte destes, e também modifica a regra do teto de gastos – ajustando a correção do limite de despesas do governo no ano de acordo com a inflação de dezembro, ao invés de junho (o que aumento o espaço do orçamento em quase R$ 50 bilhões em 2022). Explicamos mais sobre o texto de gastos nesse vídeo.

A mudança legislativa é essencial para que o governo possa aumentar os gastos sociais no ano que vem, dado o orçamento bastante apertado. É necessária uma segunda votação na Câmara, antes de ir ao Senado.

De olho no petróleo no mundo. Acontece hoje a reunião da Opep+ (a organização dos países exportadores de petróleo e seus aliados), sob pressão dos EUA para que membros do cartel defendam o aumento na produção da commodity. A ideia dos americanos é tentar conter a alta no preço de energia no mundo, mas a expectativa de muitos analistas de mercado é de que o patamar planejado anteriormente seja mantido – mantendo, assim, a pressão sobre o preço do petróleo no mundo.

E de olho na indústria por aqui. Os dados sobre a produção industrial de setembro no Brasil será encerrada esta manhã. O mercado espera que a indústria registre a quarta queda consecutiva. Isso porque o setor de manufatura está se contraindo em muitos países devido à escassez de insumos e ao aumento dos custos de energia – a agora famosa “crise de suprimentos global” (tema que contamos em mais detalhes em nosso “musical” resumo do mês, por aqui).

Nas horas vagas eu sigo nas indicações para o tempo livre. Copiando minha querida amiga (e também head de Renda Fixa da XP), minha indicação fica da série “Maid”.

Se você não está já cansado de ouvir indicações dessa série, fica aqui a dica: a série do Netflix conta a história de uma jovem mulher americana, que percebe estar em uma relação abusiva, e passa a fazer de tudo para dar uma vida melhor para sua filha de 3 anos. Pode parecer “mais do mesmo”, mas a série retrata questões como a dependência financeira como forma de abuso (realidade, infelizmente, para muitas mulheres no mundo), e a diferença brutal do peso e responsabilidade parental que ainda recai sobre as mulheres – e meninas, muitas vezes.

Fica a dica para uma série inteligente, essencial, e bem construída!

Elaborado por:

Betina Roxo, CNPI 1493
Paula Zogbi, CNPI 2545

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