• Bolsas mundiais em alta após fechar maio majoritariamente no azul.
  • Europa reage a dados econômicos mais fortes.
  • No Brasil, hoje é dia de divulgação do PIB (Produto Interno Bruto) consolidado do primeiro trimestre desse ano, às 9h. Nas últimas semanas, economistas têm revisado as expectativas para cima.
  • Por falar em resiliência, melhorou nossa visão para o indicador de dívida/PIB, mas o risco estrutural continua rondando.

Bolsas mundiais sobem voltando de feriado nos EUA. Futuros americanos têm alta de 0,47% e o Euro Stoxx negocia a +1,21%. Em maio, o Dow Jones fechou o quarto mês positivo, com alta de 1,93%; o S&P 500 subiu 0,55%. O Nasdaq, mais focado em ações de tecnologia, subiu forte semana passada, mas terminou o mês com queda de 1,53% (após seis meses subindo), impactado pelos temores de altas nos juros.

E vai ter alta nos juros, afinal? Como temos falado bastante por aqui, tudo indica que os BCs (principalmente o dos EUA, que é o mais monitorado) continuam vendo a pressão inflacionária como temporária, causada por problemas nas cadeias de fornecimento e comparações com o ano anterior, quando a economia permaneceu em grande medida fechada, e devem manter os programas de estímulos inalterados por ora. Só que dessa vez pode ser que o Fed esteja enganado (leia mais no Insight do dia).

Rolando os dados. A alta de hoje na Europa é impulsionada pelo otimismo com a recuperação da economia na região. O índice PMI IHS Markit final de manufatura relativo a maio indicou que a atividade na Zona do Euro atingiu o patamar recorde de 63,1 pontos, frente a 62,9 pontos em abril, superando a estimativa inicial de 62,8 pontos. A inflação por lá acelerou para 2% em maio de 1,6% em abril, para sua taxa mais rápida desde o final de 2018 e acima da meta do BCE de “abaixo, mas perto de 2%”. Enquanto isso, a União Europeia deve remover restrições para vacinados a partir de julho.  

E mais dados, agora na Ásia. Na China, o índice de gerentes de compras (PMI) subiu para 52,0 no mês passado, o nível mais alto desde dezembro e avançando em relação aos 51,9 de abril. Os novos pedidos aumentaram no ritmo mais forte até agora este ano e um indicador para pedidos de exportação foi o mais alto desde novembro, mas a leitura da produção, embora ainda sólida, foi um pouco menor do que no mês anterior.

O que tem pra hoje? Lá fora, investidores aguardam dados de atividade econômica americana (PMI e ISM) e reunião da OPEP+, que já prevê para o 2º semestre estoques limitados de petróleo (a commodity sobe hoje). No Brasil, os números fechados do PIB do primeiro trimestre são destaque, à medida que a expectativa é de uma alta que mostre a resiliência da nossa economia. Esperamos crescimento de 1,1% trimestre a trimestre e e 0,8% na comparação anual, enquanto o consenso de mercado tem crescimento de 0,9% e 0,7%.

Olha lá longe! É a dívida se afastando (dos 90% do PIB)… Ontem, o time de Macroeconomia da XP Inc. publicou um relatório que pode aliviar algumas expectativas. Segundo eles, o cenário de curto prazo melhor que o esperado foi reforçado pelos dados fiscais de abril: a atividade forte e a inflação em alta impulsionam a arrecadação, enquanto a falta do orçamento 2021 limita despesas. Com isso, estão melhores as projeções fiscais para o ano: agora, a equipe espera um déficit primário de 2,6% do PIB (antes 3,2% do PIB) e a dívida bruta/PIB de 87% para 84,5% — 4,3p.p. abaixo do nível observado ao final do ano passado.

Antes de soltar fogos, lembre-se: o risco “crônico” continua. Aliada de curto prazo, a inflação alta pressiona as despesas indexadas e restringe o orçamento da União, além de aumentar a pressão para elevação da taxa Selic – o que aumenta o custo da dívida. O risco de perda de arrecadação diante da recente decisão do STF sobre a base de cálculo do PIS/Cofins também requer atenção. Saiba mais aqui.

Fazia tempo que não falávamos de Orçamento, né? Depois de encaminhar acordo sobre os projetos de lei que recompõem recursos do Orçamento de 2021, líderes de bancada no Congresso têm mais uma reunião hoje para tentar um acordo com o governo sobre vetos. O governo quer, finalmente, virar a página da questão orçamentária de 2021 (sim, em junho).

Nas horas vagas

Sei que esse espaço é para ser de descompressão, mas tenho uma indicação mais didática (e super importante) sobre nosso mercado hoje. A XP publicou ontem um texto (que até linkamos aqui, mas você pode ter perdido) explicando direitinho como a crise hídrica impacta as diferentes ações de energia na B3. Fizemos uma versão mais enxuta aqui para ajudar você a entender melhor.

Elaborado por:

Betina Roxo, CNPI 1493
Paula Zogbi, CNPI 2545

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