• Ousado e questionado, o pacote de mais de US$ 2 trilhões do governo americano ajuda no otimismo das bolsas nesta manhã, mas deve ter dificuldade para ser aprovado
  • Na França, o terceiro lockdown completo decretado ilustra a dificuldade da Zona do Euro no manejo da pandemia, muito atrás dos EUA e do Reino Unido
  • Por aqui, o emaranhado do orçamento chamado de inexequível pelo Ministério da Economia continua

Mercados globais em alta neste começo de quinta-feira, com o plano econômico americano ofuscando notícias de novos lockdowns na Europa. Futuros do S&P sobem 0,32% e Nasdaq segue em destaque de alta após perdas mais acentuadas em pregões recentes, subindo 0,91%. Do outro lado do Atlântico, Euro Stoxx em +0,33%.

Os EUA têm um plano. O presidente Joe Biden anunciou ontem o tão aguardado pacote de infraestrutura de US$ 2,25 trilhões, incluindo investimentos em estradas, pontes, energia verde e melhorias nos sistemas de distribuição de água ao longo de oito anos. Segundo ele, os pacotes anteriores eram focados em emergências imediatas e “agora é hora de reconstruir”.

Vai pagar como? O aumento de impostos corporativos para 28% para financiar esses projetos é, de certa forma, um alívio para os títulos de dívida que estavam pressionados: vão aumentar os gastos, mas também a arrecadação — isso se esse imposto for suficiente para arcar com os gastos, algo que já está sendo questionado. Agora, o governo precisa que o plano passe pelo Congresso, que, não bastasse a oposição Republicana, também tem críticos no partido Democrata (uns contra os impostos mais altos, outros achando que o gasto precisa ser maior, segundo a Bloomberg). Não vai ser fácil e talvez seja necessário quebrar a proposta em pedacinhos.

Terceiro lockdown. Na França, o presidente Emmanuel Macron decretou um mês de isolamento social mais severo (lockdown) em meio ao atraso da vacinação na Zona do Euro em comparação com os EUA e o Reino Unido.

Vamos desatar esses nós? No Brasil, o emaranhado do Orçamento continua, apesar de o relator da proposta ter solicitado o cancelamento de R$ 10 bilhões dos cerca de R$ 30 bilhões que foram incluídos por ele na proposta. O Ministério da Economia sugere que a Lei seja vetada pelo Presidente da República, por argumentar que é inexequível, mas a mudança é politicamente difícil. O Tribunal de Contas deve divulgar parecer sobre o assunto a qualquer momento, o que pode ajudar o presidente a se decidir.

Dados, dados. A taxa de desemprego atingiu 14,2% no período de três meses até janeiro (Pnad). A massa salarial real efetiva deteriorou-se adicionalmente em janeiro (-11,1% ano/ano ou -1,6% mês/mês). Olhando para frente, nossa equipe econômica acredita que o mercado de trabalho informal apresentará uma deterioração ainda maior nos próximos meses, refletindo o agravamento da pandemia e as restrições de mobilidade.

E mais dados. O déficit primário do governo geral totalizou R $ 11,8 bilhões em fevereiro, atingindo 9,26% do PIB no acumulado em 12 meses. O resultado veio bem melhor do que o consenso de mercado (em R $ -20 bilhões), principalmente devido ao superávit primário acima do esperado registrado pelos governos regionais, de R $ 10,5 bilhões

Wrap do trimestre. Além de dia da mentira (que não compactuamos: fora Fake News), primeiro de abril é o dia em que se inaugura o segundo trimestre do ano. Cabe uma breve retrospectiva: até então, não estamos indo tão bem. O Ibovespa teve baixa acumulada de 2% nos primeiros 3 meses do ano e o dólar subiu 8,5% frente o real. Os motivos — e os pontos de cautela que estamos levando para o mês que começa agora — estão no nosso insight de ontem.

Nas horas vagas

Muito se falou sobre o ganhador de R$ 162 milhões da Mega da Virada, que não havia ido buscar o prêmio até o dia anterior ao prazo final, que era ontem. Só ao deixar essa grana parada, a pessoa “perdeu” mais de R$ 1 milhão de efeitos inflacionários, aliás.

Mas você sabe o que acontece com o dinheiro que não é retirado? Eu não sabia também, mas descobri que os valores são integralmente repassados ao Fies (Fundo de Financiamento ao Ensino Superior), que financia a educação. Menos mal, né?

Elaborado por:

Betina Roxo, CNPI 1493
Paula Zogbi, CNPI 2545

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