• Traga o seu Gin Tônica com limão, e vamos ao que interessa: Esquenta pro Copom!
  • De um lado: economia se recuperando, vacinas avançando e real um pouco mais forte.
  • De outro: preços correntes pressionados, riscos de perda de controle de expectativas sobre inflação no futuro, e riscos fiscais à vista.
  • Tudo junto e misturado, o heatmap da economia aponta um Copom mais duro na decisão de hoje, subindo não somente a Selic (em 1pp, para 5,25%), mas também o tom do comunicado que acompanha a decisão.
  • Não percam nossa cobertura da reunião! Hoje, as 19:00. Não esqueça do gelo, máscara e investimentos.

Chegou a hora daquela quarta-feira mais aguardada e animada dos últimos 45 dias. Aquela em que eu levo o Gin, você a tônica, e esperamos ansiosamente a decisão do nosso Comitê de Política Monetária – o Copão, ou melhor, Copom.

Como contei para vocês há 45 dias, a cada reunião dos diretores do Banco Central do Brasil, vocês poderão esquentar por aqui na Riconnect, muito bem informados sobre o que esperar da decisão que afetará a nossa taxa básica de juros, a Selic.

A tabela de nome chique: Heatmap do Copom

O primeiro passo para nos prepararmos para a decisão do Copom, é entender o que aconteceu de importante na economia do Brasil e no mundo desde a última reunião do Copom, e que será analisado pelos membros do comitê.

Por isso, aquecendo meus vocais em espanhol, conto abaixo o “que passó” nos últimos 45 dias de relevante para a política monetária e que certamente estará estampado nos “PPTs” dos diretores do Banco Central nesse exato momento em que vos escrevo para determinar o rumo da taxa Selic.

Quem leu nosso último esquenta, já está familiarizado com a tabela abaixo, que apresenta o comportamento recente das principais variáveis macroeconômicas que afetam a política monetária. Como vocês podem ver, ela tem uma coloração diferenciada. E não, não é só pra ficar menos entediante! É um mapa de calor, ou heatmap, para os íntimos.

O heatmap serve para indicar a nossa leitura do que cada um dos indicadores representa no mundo da política monetária. Quanto mais vermelho (azul), mais a variável está atuando para piorar (melhorar) a perspectiva da inflação.

Já os belos pássaros estampados no alto indicam uma nomenclatura curiosa sobre política monetária no mundo: os Hawks (falcões) e os Doves (pombas). Quanto mais vermelho, mais o comportamento do indicador aponta a decisão de política monetária para um lado hawkish; do outro lado, quanto mais azul, mais o indicador aponta a decisão para o lado dovish.

Falcões X Pombas

Hawkish – Aparentemente relacionado ao comportamento de soldados na Guerra da Independência dos EUA, a figura de um falcão está associada à coragem, força, rigidez. Em política monetária, faz referência a um comportamento de banqueiros centrais mais preocupados com o controle da inflação, menos lenientes com a alta de preços e o potencialmente distanciamento de sua meta.

Dovish – Já as pombas são relacionadas a…acho que apenas pombas mesmo, na tranquilidade, de boa esperando seu pãozinho no parque! Em política monetária, as pombas então são associadas a autoridades monetárias mais lenientes com a inflação. Para os quais “um pouquinho de alta de preços não faz mal a ninguém”, mesmo que se distancie da meta almejada.

Daniela Mercury ou Tim Maia?

Como vocês podem ver, o heatmap atualizado desde a última decisão do Copom está pendendo mais para Daniela Mercury do que para Tim Maia. “Vermelhou” e “Azul da Cor do Mar”, para quem não entendeu minhas super claras referências musicais, para confundir ainda mais a história maluca dos pássaros.

Voltando para a economia e à taxa Selic, isso significa que a maior parte dos indicadores macroeconômicos está pendendo para uma decisão de política monetária mais rígida contra a alta dos preços.

Entendendo os números

Se olharmos o IPCA dos últimos meses, por exemplo, esse segue muito acima da meta do Banco Central para o ano, apesar da relativa estabilização recente. No caso, por mais que uma alta de juros não altere as pressões sobre a inflação corrente, hoje muito puxadas por questões como o clima e desequilíbrios causados pela pandemia (como descasamento entre oferta e demanda na indústria), a Selic mais alta ajuda a controlar o quanto essa alta corrente impacta a percepção dos agentes econômicos (eu, você e todo mundo) sobre para onde vão os preços no futuro. E voilá – faz-se a magia do canal de expectativas da política monetária.

Outros dois indicadores apontados no mapa na cor vermelha são o PIB e o Hiato do produto. Aqui, é importante dizer que o vermelho não é negativo, e sim significa que a política monetária deve se tornar menos “estimulativa”. Ou seja, como a recuperação econômica em curso está ganhando força, na esteira da vacinação contra a Covid-19 e a normalização da atividade e retomada da confiança, além de programas de auxílio a renda, os juros não precisam estar mais tão baixos – estimulando a economia. Da mesma forma, o hiato do produto “fechando” significa que a economia se aproxima mais rapidamente do que se esperava do potencial de crescimento – necessitando, aí, de menos estímulos.

Aqui, é importante lembrar que estímulos demais a uma economia aquecida pode gerar mais inflação. Esse risco é menor, quanto mais a economia se torna mais produtiva ao longo desse processo (o que não é o caso do presente momento no Brasil, mas já é assunto pra outro dia!).

Por outro lado, temos poucos elementos no campo azul, o que é o caso do câmbio. Tendo apreciado relativo ao patamar que estava há 45 dias, o câmbio é um fator que ajuda no argumento mais “dovish”, pois uma moeda mais valorizada tem menos efeitos inflacionários nos preços da economia. Pense na farinha importada para o pãozinho francês. Com dólar mais baixo, o preço final fica menos pressionado.

E o que isso tudo quer dizer sobre a decisão de hoje?

Com tudo isso junto e misturado, além da crescente incerteza fiscal que começou a nos assombrar novamente (conto mais da viagem ao “De volta para o futuro” do aumento do risco fiscal aqui), devemos esperar um Copom mais duro na decisão de hoje, subindo não somente a Selic (em 1pp, para 5,25%), mas também o tom do comunicado que acompanha a decisão.

Após essa decisão, os próximos eventos no cenário político econômico serão essenciais para determinar o rumo da Selic nesse ano. Por ora, entendemos que o BC elevará a taxa até 6,75% nesse ano – um pouco acima do patamar neutro, aquele que não estimula nem desestimula a atividade (tipo em cima do muro mesmo). Mas, se a percepção de risco fiscal se deteriorar ao longo das próximas semanas, no meio de todo esse rolo fiscal como a potencial flexibilização do teto de gastos, a alta pode não parar por aí, e podemos ver uma Selic um pouco mais alta ao fim desse ciclo (nesse ano, ou início do ano que vem).

Mas devagar com o andor! Um pouco mais alta não significa dois dígitos, como muitos de nós brasileiros costumamos associar. Por ora, esse cenário ainda segue (felizmente) improvável, especialmente dado a alta credibilidade desse Banco Central, hoje formalmente autônomo.

Por isso, sigam atentos nos nossos conteúdos por aqui! Vamos te contar tudo sobre a decisão (estávamos certos, será?), o que achamos para os próximos passos, e o que considerar para seus investimentos nesse cenário!

Elaborado por:

Betina Roxo, CNPI 1493
Paula Zogbi, CNPI 2545

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