• Nada melhor do que o Dia Internacional da Igualdade da Mulher para refletir sobre o papel da mulher no cenário de investimentos no país, e claro, sobre o papel dos investimentos na vida da mulher brasileira.
  • Apesar de termos atingido a marca de 1 milhão de investidoras na Bolsa, ainda somos minoria nos investimentos em um país onde quase metade dos lares são chefiados por mulheres.
  • Por quê? Infelizmente, mulheres ainda ganham menores salários, tem menor nível de educação e mesmo acesso à informação! Mas também queremos saber muito mais do que os homens para dar o primeiro passo.
  • Além de tudo, investimentos diferente. Somos mais avessas ao risco do que homens com o mesmo perfil.
  • Mas isso não precisa seguir assim! Use esse dia para investir sem medo, sem preconceito e seguindo o seu perfil. Seu dinheiro agradece!

Você sabia que se escrevermos no Google “por que as mulheres não podem”, as primeiras frases mais procuradas que aparecem na busca incluem “ser padres, ser marinheiros ou usar um shampoo de homem para queda de cabelos”? De fato, algumas são indagações importantes, outras nem tanto, mas admito que fiquei feliz quando não encontrei entre as mais procuradas o termo “por que mulheres não podem investir”.

Se você está no rol dos nossos 13 assíduos leitores, você deve ter sentido uma sensação de déjà vu ao ler o parágrafo acima. Isso porque o trecho foi tirado do texto que escrevi com muito carinho para esse mesmo espaço na Riconnect, no ano passado — aqui.

E por que começar um Insight meses depois com o mesmo trecho? Cansamos de escrever e decidimos trabalhar apenas com a reciclagem, no espírito ESG? Até que podia ser, né? Mas, dessa vez, não! A razão para trazer o tema de investimentos femininos novamente para vocês é porque hoje (26 de agosto) celebramos o Dia Internacional da Igualdade da Mulher.  

Nada melhor do que esse dia para refletir sobre não somente a importância do respeito e apoio aos direitos da mulher, mas também sobre o papel da mulher no cenário financeiro do país, e vice-versa — ou seja, o papel dos investimentos na vida da brasileira.

Queremos saber tudo!

No Brasil, apesar de termos atingido a marca histórica de 1 milhão de investidoras na Bolsa, as mulheres ainda representam apenas 30% do total de investidores registrados na B3 (no Tesouro Direto, a proporção é bastante similar, pouco acima de 30%). Em um país onde mulheres representam 51,5% do total da população, e no qual quase metade das famílias são chefiadas por mulheres financeiramente, o número ainda parece baixo.

Diversos estudos tentam entender o porquê dessa realidade, que não acontece apenas no Brasil e é infelizmente observada em todo canto, inclusive em países desenvolvidos, onde o mundo dos investimentos tende a ser muito mais maduro e presente na vida das pessoas.

Dentre os motivos, as pesquisas apontam menores salários e menores benefícios de aposentadoria de mulheres quando comparados à homens, o menor nível de educação financeira, acesso à informação e capacidade de utilizá-la, e mesmo variáveis de interação social que afligem parte da população feminina, incluindo sintomas de depressão.

Mas há outra questão que também aparece com frequência, que decidi chamar de “síndrome do PhD dançarino”. Sabe aquela sensação de que você precisaria saber dançar muito bem para poder participar de uma competição de dança entre amigos? Agora substitua a competição de dança por dar o primeiro passo no mundo dos investimentos, e saber dançar muito bem por ter um PhD em economia, finanças ou correlatos. Voilà!

É isso que 41% das mulheres no mundo sentem sobre investimentos, segundo uma pesquisa recente da gestora Franklin Templeton [2]. Ou seja, para quase metade das mulheres, elas não sabem o suficiente sobre investimentos para “se dar ao luxo de investir”. Sabem qual o número que a mesma pesquisa aponta para homens? 23%.  

Mas será que investimos diferente?

Para além das variáveis por trás da menor participação feminina em investimentos, há também um importante “lugar comum” frequentemente atrelado a investidora feminina: a premissa de que a mulher possui maior aversão ao risco do que homens. Ou seja, mulheres teriam mais medo de perder dinheiro ao investir, e por isso, tomariam menos riscos em nossos investimentos.

Essa premissa acaba influenciando a própria decisão inicial de mulheres sobre investir, além de criar a noção de que os retornos esperados em carteiras escolhidas por mulheres são menores, quando comparado às carteiras em que homens decidem sobre a alocação. Em outras palavras: partindo do pressuposto que mulheres optam por tomar menos riscos, espera-se menores retornos de investimentos feitos por mulheres.

Mas será que isso é realmente o caso, na vida real? Usando um banco de dados com carteiras de investimento reais de mulheres ao redor do Brasil, e um modelo matemático, conclui que (infelizmente) sim. E isso se provou verdade mesmo controlando por variáveis como idade, estado civil e salário declarado.

Simplificando para o bom e velho português: “Considerando a mesma idade, estado civil, salário e várias outras coisas, uma mulher é mais avessa ao risco do que um homem”? Sim.

Um sonoro “sim” seria escutado, se o modelo estatístico rodado em uma tela preta que faz todo mundo parecer um hacker pudesse falar. Para todos os diferentes testes realizados, mulheres se mostraram mais avessas ao risco do que homens.

Quanto? Considerando clientes de perfil autodeclarado agressivo, por exemplo, ser mulher implica em uma redução da volatilidade observada, em média, de 2,23 pontos percentuais. Esse aumento se compara a uma redução de 0,57 pontos percentuais na volatilidade observada, a cada 10% de aumento no patrimônio líquido do cliente.

Ou seja, o mero fato de ser mulher influencia mais para que uma carteira tenha menor volatilidade do que o próprio montante investido.

Exato! Chocamos. Por isso, se isso te deixou tão estupefata(o) quanto eu, convido você, cara leitora ou caro leitor, a usar esse Dia Internacional da Igualdade da Mulher, para investir sem pré-concepções. Sem síndromes de PhDs dançarinos, ou medo de dar aquele primeiro (segundo, ou terceiro) passo: medindo o risco/retorno de maneira equilibrada de acordo com seus objetivos, fazendo seu dinheiro trabalhar com você, por você – sendo homem, mulher, velho, novo, careca, cabeludo, rei, ladrão, soldado ou capitão!

Referências

[1] O conceito de gênero utilizado no presente estudo diz respeito à construção social atribuída ao sexo (diferente do conceito de sexo biológico), conforme a autodefinição de investidores.

[2] 41% das mulheres dizem saber menos do que a média dos investidores. Valor Investe, 2019. https://valorinveste.globo.com/mercados/brasil-e-politica/noticia/2019/10/01/41percent-das-mulheres-dizem-saber-menos-do-que-a-media-dos-investidores.ghtml

Elaborado por:

Betina Roxo, CNPI 1493
Paula Zogbi, CNPI 2545

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