A inflação ao consumidor nos Estados Unidos, medida pelo CPI (sigla em inglês para índice de preços ao consumidor) registrou alta de 0,9% em outubro. O resultado veio bem acima das expectativas dos analistas de mercado, levando o acumulado em doze meses 6,2% – maior alta desde novembro de 1990, e muito acima da meta do Banco Central americano, de média de 2%.

Preços de energia e carros foram dois dos principais destaques do resultado mensal, reforçando a percepção de que gargalos nas cadeias de suprimentos globais são o principal motivo por trás da alta de preços atual, e desafio para controlar os preços adiante.

A crise global de suprimentos

As restrições de mobilidade por conta da pandemia afetaram a produção de muitos bens, com fábricas, portos e boa parte da produção e exploração fechados ou limitados. Com a demanda ainda forte (impulsionada por programas de auxílio fiscal), os estoques secaram.

Conforme tudo foi voltando ao normal com a vacinação, a demanda subiu ainda mais, pressionando os preços de matérias primas, como o petróleo, gás natural, minério de ferro, carvão — as famosas commodities.

Jogando mais lenha na fogueira de preços, questões climáticas e políticas afetaram a produção de energia no mundo, incluindo por aqui (onde a falta de chuvas afetou a produção hidroelétrica). A estratégia rígida contra o avanço da Covid-19 na China, ainda vigente, também agrava a situação, com um “abre e fecha” de locomoção e produção ao redor do país.

Com demanda forte e oferta limitada, produtores passaram a conviver também com a falta de insumos para produção. De semicondutores para carros e computadores a plástico para embalagens ou vidro e cimento para construção, começou a faltar de tudo um pouco ao redor do mundo — afetando diretamente a produção global, e a atividade econômica em si.

Por que devemos nos importar com isso?

De maneira mais direta, a inflação observada nos EUA reflete muitos movimentos de preços que também sentimos por aqui, especialmente de bens básicos (as famosas commodities), como gasolina e alimentos. Ou seja, como a dinâmica entre oferta e demanda no mundo também afeta a nossa inflação no Brasil, preços perdendo/ganhando força nos EUA podem ser um indicativo de comportamento a ser esperado também no cenário doméstico.

Além disso, também importamos muitos produtos manufaturados de países desenvolvidos, sendo os EUA um de nossos principais fornecedores. Assim, quando os preços de determinados produtos sobem por lá, sentimos parte dessa alta também por aqui, via importação. Claro, contabilizando aí também a diferença do câmbio real X dólar.

Para além da alta de preços em si, o dado de inflação dos EUA tem chamado a atenção no Brasil por conta do seu impacto na decisão de política monetária do FED, o Banco Central americano – e os impactos em nossa política monetária e economia aqui.

No início do mês, o FED anunciou o começo de sua redução do programa de compra de ativos no mercado. O mecanismo tem sido utilizado desde o início da pandemia para aumentar a liquidez nos mercados, ou seja, injetar dinheiro na economia de maneira indireta. Desse modo, os próximos sinais sobre inflação e mercado de trabalho nos EUA serão essenciais para determinar quando o FED começará a elevar os juros básicos no país (hoje em 0%-0,25%).   

Menores estímulos e maiores juros no mundo reduzem a atratividade relativa de ativos em países mais arriscados, como o Brasil, dada a redução do chamado diferencial de juros. Em bom português: com juros maiores lá, investidores pensam um pouco mais sobre investir aqui, onde o risco é maior.

Assim, o rumo dos juros nos EUA também impacta o rumo dos nossos juros aqui. Quanto maiores os juros por lá, menor a entrada de dólares aqui (logo, mais desvalorizada nossa moeda), o que por sua vez impacta nossa inflação. Contribuindo assim, para maiores juros por aqui também.

E seus investimentos?

Assim, proteger os investimentos contra a alta de preços aqui e lá fora segue sendo essencial no momento atual, além de aproveitar as oportunidades do cenário de alta de juros.

Considerando os preços em alta acelerada por aqui, títulos indexados à inflação, como Tesouro IPCA + 2026, debêntures de empresas sólidas com vencimento médio, e fundos de inflação (fundos de investimento que investem em ativos indexados à inflação) são ótimas alternativas. Ao mesmo tempo, o período de juros em elevação também traz oportunidades em títulos pós fixados – aqueles que acompanham a nossa taxa básica de juros, a Selic. Tesouro Selic com curtíssimo prazo (como 2024), CDBs de bancos sólidos e fundos de crédito privado também ajudam a aproveitar as oportunidades do ciclo de alta da Selic.

Falamos mais das melhores oportunidades de renda fixa por aqui.

Já na renda variável, destaque para empresas ligadas ao setor de commodities (com ativos reais e receitas dolarizadas), que podem ser ótimas alternativas para uma carteira diversificada, de acordo com o perfil de risco do cliente. Ainda, por aqui, fazemos uma seleção de empresas brasileiras e internacionais que se destacaram historicamente em momentos de inflação alta.

Elaborado por:

Betina Roxo, CNPI 1493
Paula Zogbi, CNPI 2545

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