• O cenário econômico segue central para os investimentos em 2022.
  • A inflação ainda será destaque, mas deve perder força ao longo do ano.
  • Os juros altos ajudam a inflação a ceder, mas impactam a economia do país, e o PIB deve seguir no zero a zero no ano.
  • A incerteza fiscal e o cenário político-eleitoral crescem como maiores riscos, impactando nossa moeda, que deve seguir fraca em 2022.
  • Como investir nesse cenário desafiador e proteger seu dinheiro? Confira na íntegra!

É a economia, estúpido.

Essa é uma das minhas frases preferidas sobre economia.

Criada pelo estrategista político da campanha de Bill Clinton para presidência dos Estados Unidos em 1992, James Carville, ela chama atenção de que, entre muitos aspectos que impactam a vida de cidadãos comuns (e, portanto, eleitores), a economia é um dos principais. Ou seja, por mais abstrato e distante que possa parecer da realidade de muitos, o cenário econômico é um dos principais fatores determinantes da vida de todos.

No Brasil, o ano de 2022 será marcado por eleições presidenciais, o que certamente trará maior volatilidade e incerteza aos mercados. Mas, por incrível que pareça, não foi por isso que lembrei dessa frase. E sim, porque muitas vezes podemos acabar negligenciando a importância da economia para os investimentos, “tocando o barco” sem prestar atenção na previsão do tempo!

Por isso, trago aqui nossas principais projeções para a economia em 2022, incluindo também as primeiras sinalizações sobre o ano de 2023.

E abaixo, um detalhamento de todos esses números!

Inflação: Voldemort mais fraquinho?

A inflação foi um dos principais destaques do cenário econômico de 2021, com índices de preço registrando recordes de alta não somente no Brasil, mas no mundo todo.

Os motivos da forte alta de preços incluem: i) estímulos dados por governos ao redor do mundo; ii) a crise global de suprimentos (onde o desequilíbrio entre a demanda e a oferta de produtos levou à falta de produtos e alta de preços); iii) questões climáticas, como falta de chuvas no Brasil (impactando energia elétrica); iv) própria volta da atividade, com o avanço da vacinação; v) nossa moeda desvalorizada.

Falamos sobre isso em diversas ocasiões ao longo do ano passado, lembrando a importância e indicando formas de proteger seus investimentos da alta de preços, como por aqui.  

Agora, para esse ano que começa, esperamos que o Voldemort da economia vá perdendo força, e o IPCA (nosso principal índice de inflação) caia para 5,2% até o final do ano. Ou seja, vemos um processo de desinflação ao longo do ano, com os preços passando a subir de maneira mais lenta, e alguns poucos até apresentando queda – como deve ser o caso da energia elétrica.

Como? Especialmente devido aos seguintes fatores:

  1. Queda no preço de commodities no mundo, com menos “dinheiro rolando solto em busca de retornos” – ou seja, juros subindo em diferentes países;
  2. Efeitos da alta de juros por aqui – a alta da taxa Selic demora por volta de 9 meses para ser sentida nos preços do “dia a dia”;
  3. Economia mais fraca – com juros mais altos, e o fim do “boom da normalização”, a demanda enfraquece, diminuindo os repasses de preços de produção para o consumidor final;
  4. Moeda perdendo menos valor – mesmo desvalorizado, o real seguir no patamar de 5,7 reais por dólar ao longo do ano, o que diminui a pressão sobre os preços (não sobem ainda mais).

Já pra 2023, com esses movimentos ainda presentes e os juros altos por um tempo considerável, vemos a inflação voltando pra meta do Banco Central – em 3,25%.

Juros: ao infinito, e além?

Apesar de gostar do título, a resposta é não: não esperamos que a nossa taxa básica de juros, a Selic, siga “ao infinito e além” nesse ano. Mas sim, esperamos que ela siga subindo, após terminar 2021 em 9,25% ao ano, e atinja 11,50% em março – ficando por aí até, no mínimo, as eleições de outubro.

Como contamos ali em cima, acreditamos que esse nível de Selic deve ser o suficiente para ajudar a reduzir a pressão sobre a alta dos preços ao longo do ano, trazendo a inflação para próximo da meta do Banco Central para o ano (de 3,50%).

Isso significa que a Selic estará no patamar contracionista. Ou seja, aquele que tem o objetivo de desestimular a atividade econômica, para diminuir as pressões sobre a alta de preços, e trazer a inflação para baixo. O nível neutro (ou seja, aquele que não estimula, nem desestimula), está em torno de 7,50%.

PIB: de lado eu vou

A atividade econômica (o nome que damos a tudo de bens e serviços que produzimos na economia) vem perdendo força nos últimos meses.

Problemas no fornecimento de insumos para produção (a famosa “crise de suprimentos global”), inflação alta e renda das famílias em queda são os principais motivos por trás desse movimento negativo.

Para esse ano, alguns setores ainda devem seguir se beneficiando da reabertura econômica e da maior interação social, como serviços como restaurantes e academias. Além disso, devemos ter uma forcinha do setor do agronegócio, com expectativas de boas safras.

Mas os impactos dos juros altos tanto no crédito à população quanto às empresas (mais endividadas, podendo comprar e investir menos), da inflação ainda pressionada, e das incertezas vindas do cenário político, além da desaceleração da economia global como um todo, devem fazer com que nosso PIB fique no zero a zero em 2022 (crescimento 0%).

Para 2023, vemos uma leve recuperação, com crescimento de 1,2% do PIB – desde que não haja grandes mudanças ao cenário econômico vindas do novo governo eleito.

(Quer relembrar o que é PIB? Clica aqui que te contamos tudo!).

E o dólar?

Para onde vai o dólar em 2022? Essa é quase sempre a pergunta que não quer calar no começo de todos os anos. Não só para aqueles que planejam uma viagem para fora do país, mas também pelo fato de que o valor da nossa moeda impacta todos os preços na economia – do pãozinho francês (para o qual importamos a farinha), ao carro e a gasolina, e à própria carne (que é negociada em dólares).

Como contamos ao longo do ano passado (como por aqui), a nossa moeda se afastou bastante dos fundamentos desde o início da pandemia, por conta da percepção de risco doméstico, especialmente fiscal.

Em outras palavras, o real poderia estar mais valorizado nesse momento, de acordo com o que tem entrado e saído de moeda estrangeiro no país por vias comerciais e de investimentos e do nível da nossa taxa de juros. Porém, não está, devido ao risco que é visto em investir por aqui – especialmente por conta das escolhas de política fiscal, ou seja, de gastos públicos e dívida em alta.

Vemos essa tendência seguindo ao longo desse ano. Ou seja, mesmo com a nossa taxa básica de juros chegando no patamar de dois dígitos (o que, em tese, poderia atrair mais capital estrangeiro para cá, dado os juros ainda menores no restante do mundo), a incerteza vinda do cenário político em um ano eleitoral seguirá pressionando nossa moeda. Assim, a taxa de câmbio em 5,70 reais por dólar para esse ano.

Para 2023, com a redução da incerteza eleitoral pós eleições, vemos espaço para uma leve valorização do câmbio, mas ainda gradual – para 5,30 reais por dólar.

Riscos: (maus e) velhos suspeitos

Como não poderia deixar de ser, o principal risco pairando sobre esse cenário e essas projeções é a piora do ambiente fiscal, e seu irmão gêmeo siamês, o palco político.

As contas públicas acabaram encerrando o ano de 2021 melhores do que o esperado, muito graças à arrecadação forte de tributos, à inflação alta e aos estados e municípios, que não podiam gastar por conta de limitações impostas em lei durante a pandemia.

Mas, como detalhamos aqui, a percepção de risco fiscal é baseada muito mais no futuro. Ela engloba todo o risco que os agentes de mercado precificam na hora de emprestar dinheiro ao Brasil, olhando pro longo prazo – seja por meio de títulos do governo, ou dívida de empresas.

Assim, depois de um ano de discussões fiscais que levaram à mudança da regra do teto de gastos (e a efetiva piora de diversos indicadores relacionados a isso, como o próprio câmbio, a inflação e os juros), maiores mudanças nas regras fiscais podem prejudicar ainda mais a economia.

Por enquanto, pelo menos, não é o que esperamos. Mas a chegada das eleições aumenta a chance de “apostas políticas” nessa direção.

Finalmente, vale destacar também o risco da piora novamente da Covid-19 no Brasil e no mundo. Com o avanço da vacinação, acreditamos que a maioria dos países não optará por medidas rígidas de restrição de mobilidade, com forte impacto na economia. Mas o tema não deixa de, infelizmente, seguir no radar.

E seus investimentos?

Por último, mas não menos importante, como pensar em seus investimentos nesse cenário econômico desafiador?

Afinal, é importante saber que “é a economia, estúpido”, mas tão importante quanto é saber que há como proteger seus investimentos e buscar oportunidades nesses momentos de incerteza.

Assim, recomendamos a seguinte carteira de investimentos para esse mês, de acordo com o seu perfil de investidor.

Quer saber mais? Clica aqui e confira nosso texto completo de onde investir em 2022.  

Elaborado por:

Betina Roxo, CNPI 1493
Paula Zogbi, CNPI 2545

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