• Na décima edição da parceria entre a Rico e a Giant Steps, trazemos um estudo sobre risco.
  • Para se montar uma carteira conservadora, deve-se investir exclusivamente em ativos moderados?
  • Entenda melhor como a correlação (ou não) entre os seus investimentos pode te ajudar!
  • Boa Leitura!

por Giant Steps Capital

Ter um portfólio conservador não precisa significar investir sempre em um mesmo título ou em poucas alternativas. Também não é necessário ter na carteira apenas ativos de menor risco. É possível diversificar e encontrar combinações diferentes.

“Tratando-se de finanças, diversificação é o único almoço grátis”
― Harry Markowitz

ENTENDENDO O RISCO

Entender o risco é a primeira etapa para saber como combinar ativos de risco em uma carteira de investimento conservadora. Existem vários tipos de risco que o investidor pode incorrer ao comprar um ativo financeiro. 

Por exemplo, os principais são: 

  • o risco de mercado (relacionado à volatilidade);
  • o risco de crédito;
  • o risco de liquidez. 

Neste artigo, em específico, vamos considerar como risco apenas a volatilidade. Assim, conseguimos abordar a questão do risco no portfólio conservador.

O que é a volatilidade?

Em termos técnicos, é o desvio-padrão dos retornos de um ativo. Se você não possui familiaridade com as exatas, esta definição pode parecer um tanto confusa, mas existem duas formas simples de entender o conceito.

Para entender de uma forma intuitiva, imagine uma sala de aula cuja nota média é 7. Isto é um indicador confiável de que a sala de aula é composta por bons alunos? A resposta é não, porque a maioria dos alunos pode ter ido mal e alguns alunos terem ido extremamente bem – e puxaram a média para cima. Neste caso, a volatilidade dos resultados da sala seria extremamente alta.

Para entender de uma forma visual, observe o gráfico de retorno de dois ativos:

Note que, embora ambos os ativos tenham atingido a mesma rentabilidade (8%), o risco (volatilidade) do ativo vermelho é muito maior em comparação ao risco do ativo azul.

No caso acima, ambos os investimentos atingiram a mesma média de retorno, porém o desvio padrão do ativo em vermelho é maior. Em outras palavras, quanto mais intenso é o movimento do ativo, mais volátil ele é.

O QUE É A CORRELAÇÃO?

Para continuar sabendo mais sobre risco, volatilidade e montagem de carteira de investimentos, é preciso conhecer o conceito de correlação. Ele representa o quanto um ativo é similar a outro, em termos de variação do rendimento (volatilidade) relativo à sua média. 

Na prática, quanto mais correlacionados, mais os ativos irão variar de forma parecida. A correlação pode ir de -1 até +1, segundo as regras a seguir:

  • Quando a correlação é 1, ou muito próxima de 1, os movimentos são quase idênticos em direção.
  • Quando a correlação é -1, os movimentos são sempre opostos em sua direção.
  • Quando a correlação é próxima de zero, não há similaridade.

IDENTIFICANDO VISUALMENTE A CORRELAÇÃO

Em alguns casos, é possível estimar de forma razoável a correlação entre dois ativos baseando-se no gráfico de resultado. Veja abaixo exemplos de gráficos de ativos correlacionados positivamente, descorrelacionados e correlacionados negativamente.

Alta correlação positiva (+0,3 até +1): Os dois ativos possuem movimentos de valorização e desvalorização muito similares.


Sem correlação (+0,3 até -0,2): Os dois ativos possuem movimentos sem semelhança relevante.

Negativamente correlacionados (-0,3 até -1): Os dois ativos possuem movimentos de valorização e desvalorização semelhantes, porém opostos.

COMO USAR A CORRELAÇÃO PARA DIVERSIFICAR INVESTIMENTOS?

O conceito de correlação é fundamental para os investidores, pois é possível utilizá-lo a seu favor para realizar escolhas mais eficientes. 

Para entender melhor, podemos continuar considerando os 3 exemplos que demos acima. Imagine que você decidiu investir metade do seu patrimônio no ativo 1 e metade do seu patrimônio no ativo 2. Veja, na linha roxa tracejada, qual seriam os resultados do seu portfólio final:

Note que o retorno, nos três casos, atingiu o mesmo resultado de 8%. Porém, no caso de dois ativos negativamente correlacionados (último gráfico), o portfólio quase não tem risco, porque quando um ativo ganha, o outro perde, equilibrando o risco da carteira.

Vamos para um exemplo real:

No gráfico acima, utilizamos a janela de janeiro a dezembro de 2018, para exemplificar bem o efeito da descorrelação. De imediato, três coisas ficam claras:

1. Nesse recorte de tempo, o Ibovespa parece ser ligeiramente mais volátil do que o fundo Zarathustra (Ibov chega a oscilar de +10% até -10% entre maio e junho).
2. O retorno do fundo Zarathustra foi de 14% e, do Ibovespa, 10%.
3. Aparentemente, no período considerado, os fundos parecem ser negativamente correlacionados. Veja como os movimentos são opostos em janeiro, em junho, em julho, em agosto e em setembro. Apenas em outubro os fundos parecem se movimentar juntos.

Após fazer uma conta simples, percebemos que a correlação dos ativos no período é de -0,15. Portanto, de fato, os ativos são negativamente correlacionados. Em resumo:

  • Zarathustra: Retorno de 14% com volatilidade de 14%
  • Ibovespa: Retorno de 10% com volatilidade de 22%
  • Correlação entre eles: -0,15

A IMPORTÂNCIA DA DIVERSIFICAÇÃO

No exemplo anterior, se um investidor colocasse todo o patrimônio no Ibovespa, teria um retorno de 10% com risco de 22%. Por sua vez, se ele alocasse todo o patrimônio no Zarathustra, teria um retorno de 14% com risco de 14%.

Porém, o que acontece se colocarmos metade do patrimônio do Zarathustra e metade no Ibovespa?

A resposta é um retorno de 12% com risco de 12%. Logo, a correlação negativa reduziu o risco do portfólio em, aproximadamente, 35%.

COMO DESCOBRIR A CORRELAÇÃO ENTRE ATIVOS?

Para um portfólio com mais de dois ativos, a matemática é mais complexa, pois envolve matriz decovariância. Não vamos aprofundar a explicação técnica neste documento, mas você pode acessar um estudo no artigo “diversificação de carteira com o Fundo Zarathustra”, no site da Giant Steps (www.gscap.com.br).

Contudo, existe uma maneira fácil de termos uma intuição sobre a correlação de uma carteira com mais ativos. A saída é usar uma tabela, onde calculamos a correlação entre cada par de ativos.

Na tabela abaixo, temos a correlação do Zarathustra com alguns dos principais fundos brasileiros, desde sua abertura:

Historicamente os fundos com estratégia Macro costumam ser altamente correlacionados.

Na tabela,

  • Quanto mais vermelho, maior a correlação.
  • Quanto mais azul, menor a correlação.

Se você não possui um software de risco, também é possível calcular a correlação usando o Excel. Basta colar, por exemplo, na coluna A os retornos diários (não a cota acumulada) de um ativo ou fundo e, na coluna B, os retornos diários de outro ativo ou fundo.

Uma vez colados, use a fórmula =CORREL(colunaA, colunaB). Então, ela fará o cálculo da correlação entre os dois ativos. Lembre-se de que o resultado sempre será entre -1 e +1, de acordo com o que você viu neste conteúdo.

COMO COMBINAR ATIVOS DE RISCO EM UM PORTFÓLIO CONSERVADOR?

Nem sempre é uma tarefa simples analisar a correlação entre ativos. Na teoria, se você encontrar dois ativos negativamente correlacionados (correl = -1), será possível montar um portfólio de alto rendimento com risco zero.

Na prática, entretanto, tal situação é rara. Como o mercado financeiro é interligado, torna-se praticamente impossível encontrar correlações negativas nesse nível. Então, o que se busca é valores aproximados. 

Mas, como encontrar produtos descorrelacionados entre si? Uma estratégia eficiente é procurar ativos que possuam diferentes estratégias ou metodologias de investimentos. Por exemplo, combinar fundos macro, quant, equity hedge, entre outros. 

A diversificação da carteira também se beneficia de combinar classes de ativos negativamente correlacionados naturalmente. É o caso das ações e da renda fixa — cujos preços costumam se comportar na direção oposta.

CUIDADO COM CORRELAÇÕES ESPÚRIAS

Antes de finalizarmos, um ponto importante sobre correlação é que ela não implica causalidade. Em outras palavras, a ligação entre dois eventos não significa, necessariamente, que um deles tenha causado a ocorrência do outro.

Apesar disso, é importante sempre analisar se existe, de fato, uma estrutura de correlação entre os ativos na sua carteira. Isso porque há o risco de verificar uma correlação espúria — que pode acontecer devido a um fator de coincidência.

Por exemplo, se afirmarmos o seguinte: “Quanto maiores são os pés de uma criança, maior a capacidade para resolver problemas de matemática. Portanto, ter pés grandes faz ter melhores notas em matemática”.

A ideia estaria correta? Na verdade, não há uma relação direta na prática, certo? Afinal, à medida que as crianças crescem, o mesmo acontece com os pés — assim como com a sua capacidade de raciocínio, a quantidade de conhecimentos adquiridos e outras características. 

Ou seja, nesse caso, a evolução da idade e a aprendizagem da criança são as verdadeiras causas tanto do aumento dos seus pés quanto da capacidade de resolver problemas de matemática. Logo, a correlação entre os fenômenos se deve mais à coincidência.

CONCLUSÃO

Neste conteúdo, você viu que é possível ter portfólio conservador, mesmo investindo em ativos de risco mais significativo. A estratégia é combinar investimentos com correlação negativa para equilibrar sua carteira e reduzir os riscos dela.

O investidor, portanto, não deve subestimar o poder da descorrelação, que é um recurso extremamente poderoso. E, como disse Markowitz, é o único almoço grátis do mercado.

Elaborado por:

Betina Roxo, CNPI 1493
Paula Zogbi, CNPI 2545

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