• O IPCA registrou deflação mais uma vez em setembro, reduzindo a inflação para 7,2% no país.
  • A queda foi puxada por combustíveis e alimentos, indicando que o pior do período recente de preços altos ficou para trás.
  • Esperamos que a inflação encerre o ano em 5,6%, diante da normalização da produção global e dos juros altos encarecendo o crédito e desestimulando o consumo.

A inflação medida pelo IPCA, nosso principal indicador de preços ao consumidor, registrou queda de 0,29% em agosto. O resultado levou o índice para 7,17% no acumulado em doze meses, desacelerando em relação ao observado em agosto – quando estava em 8,73%.

Desde janeiro, o indicador acumula alta de 4,09%.

Preços de combustíveis e alimentos puxam queda mensal

Assim como o observado em agosto, parte da deflação observada em setembro foi puxada pela queda no preço de combustíveis. Porém, diferente do mês anterior, essa queda não reflete mais a redução de impostos aprovada pelo Congresso em junho. E sim, a queda dos preços do petróleo no mercado internacional até meados do mês passado, que permitiu o corte de preços internos por parte da Petrobrás.

O recrudescimento do conflito entre Rússia e Ucrânia, o corte de produção anunciado pela OPEP e perspectivas de oferta reduzida no mundo elevaram novamente os preços da commodity, revertendo parcialmente a queda dos últimos meses. Porém, não esperamos que a Petrobrás reajuste preços para cima nos próximos meses, a menos até as eleições.

Ainda sobre o resultado mensal, a queda do preço de alimentos e produtos industriais também contribuiu para a perda de fôlego da inflação em setembro. O leite, por exemplo, depois de ter o preço médio subindo 40% no ano, começou a cair de forma intensa em setembro – assim como esperávamos e havíamos contado por aqui.

Os preços de veículos, produtos farmacêuticos e cuidados pessoais também foram destaque de baixa, registrando deflação no mês. A desaceleração reflete a normalização da produção, escoamento e comercialização de produtos ao redor do mundo, além do enfraquecimento do consumo doméstico diante do encarecimento do crédito (dado o elevado patamar da Selic).

O que esperar?

Para o dia a dia do brasileiro, a sensação de perda do poder de compra perde força, apesar de ainda persistir. 

A queda do índice de difusão da inflação no mês (de 65% pra 62%) reflete esse movimento, indicando que a disseminação da alta de preços entre diferentes bens e serviços na economia perde força.  

No mundo, os desdobramentos da guerra entre Rússia e Ucrânia devem seguir afetando a inflação global, especialmente na Europa – que depende muito do gás natural russo. Como energia é usada para praticamente tudo, a inflação segue “a todo vapor” no velho continente.

Por outro lado, Bancos Centrais no mundo seguem no processo de alta de juros. Nos Estados Unidos, o FED deixou claro que fará “tudo o que precisar” para trazer a inflação de volta à meta de 2,0% (hoje acima de 8,0%), enquanto o Banco Central Europeu elevou os juros para 1,25% ao ano – taxa bastante alta para padrões históricos da região.

E esse movimento de juros subindo já começa a impactar expectativas sobre a inflação futura – um ponto crucial para o controle dos preços.

Ou seja, a política monetária no mundo entra em território contracionista – quando os juros têm o objetivo de desestimular a economia. De maneira simplificada: “menos dinheiro no mundo se traduz em menor pressão sobre os preços”.

Já no Brasil, esperamos que a taxa Selic permaneça em 13,75% ao ano até pelo menos o meio do ano que vem.  Quer saber mais sobre isso? Vem ler aqui!

Assim, projetamos que a inflação encerre esse ano em 5,60%. Apesar de ainda acima da meta do Banco Central (de 3,50%), uma forte redução em relação aos dois dígitos vistos na primeira metade do ano.

Vale lembrar que a projeção de queda da inflação não significa que os preços seguirão caindo, como vimos nos combustíveis e alguns itens em setembro. E sim, que os preços, de maneira geral, subirão mais lentamente. Deste modo, projetamos dados de inflação positivos para os próximos meses.  

Como se proteger da alta de preços?

Nesse cenário de inflação alta, proteger os investimentos torna-se mais essencial do que nunca. Títulos indexados à inflação, como o Tesouro IPCA + 2026, debêntures de empresas sólidas e boas classificação de risco, e fundos de inflação (fundos de investimento que investem em ativos indexados à inflação) são ótimas alternativas. Falamos mais das melhores oportunidades de renda fixa aqui.  

A classe de ativos reais também tende a se beneficiar de um cenário como o atual.  São ativos que tem um valor intrínseco (ou seja, não podem ser emitidos por Bancos Centrais, por exemplo), e costumam ter baixa correlação com ciclos econômicos, altas de juros e inflação.

Exemplos de ativos reais são commodities minerais, agrícolas e energéticas. Uma alternativa simples para acessar esses investimentos é o fundo Trend Commodities, disponível na Rico com aplicação mínima de R$100,00.

Mas não só de proteção contra a inflação devem viver os investimentos nesse momento. Por isso, selecionamos abaixo algumas sugestões de diferentes ativos recomendados – sempre lembrando da importância da diversificação.

ClasseOpção de investimentoAplicação mínima
Renda fixa pós-fixadaTrend Pós-Fixado FIC FIRFR$100,00
InflaçãoTesouro IPCA 2026R$31,27
Renda Fixa PrefixadaTesouro Prefixado 2025R$31,56
Renda Fixa GlobalTrend Crédito Global FIMR$100,00
MultimercadoSelection Multimercado FIC FIMR$100,00
Renda variável BrasilCesta de ações “No Stress” RicoN/A
Renda variável InternacionalTrend Bolsa Americana Dólar FIMR$100,00
Renda variável internacional com hedgeTrend Bolsa Americana FIMR$100,00
AlternativosTrend Commodities FIMR$100,00

Vale lembrar que as recomendações sinalizadas na tabela abaixo não são as únicas possíveis, mas sim alternativas viáveis selecionadas pelos nossos especialistas para você.

Confira o detalhe dessas recomendações de investimento de acordo com o seu perfil de investidor no “Onde Investir em 2023”.

Elaborado por:

Paula Zogbi, CNPI 2545

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